sorriso besta . cabelo ao vento . pés descalços . abraço apertado

domingo, setembro 07, 2008

*REVIRANDO O GUARDA-ROUPA*

Foto por: Julia Emerich


Enquanto se revira o guarda-roupa, se pensa...
[Quanto mais eu penso, menos eu sei o que postar/escrever/falar aqui.]


Dias em que o céu está cinza, o mar está agitado e as árvores balançam sem parar. E nada me faz parar e escrever palavras bem cabidas ou descabidas. Sempre que começo a cuspir palavras [não estou desmerecendo as palavras e nem o ato de escrever] em um papel, paro. Tudo que eu deixo às vistas em um papel qualquer me parece sem sentido, de tanta melancolia, coberto de sentimentalismo fútil [se é que existe sentimento assim: fútil, inútil].

Dias atrás eu disse a uma amiga que eu havia feito uma análise comparativa do meu gosto por certas imagens imaginadas fotográficas com o meu próprio modo de ser. Vou explicar melhor: se eu fosse fotógrafa, acho que gostaria de fotografar/captar construções inacabadas e estruturas arquitetônicas. Sempre que vejo essas imagens, crio uma imagem fotográfica em minha mente - é como se eu estivesse com a máquina fotográfica em minhas mãos e pudesse, então, naquele momento captar aquela imagem visualisada. Então comecei a pensar o porquê de eu gostar dessas imagens e, concluí [não sei se estou certa] que é pelo fato de serem imagens que estão em construção, inacabadas. Mas o que isso tem a ver comigo?! Tudo. Eu me vejo como uma pessoa que está sempre achando algo dentro de si que precisa ser mudado/moldado ou mesmo descobrindo coisas que precisam ser construídas. Acredito que os seres humanos são assim: seres em constante construção. Não que estejamos mudando nosso caráter, mas aperfeiçoando-o. Tento sempre ser uma pessoa melhor. E, para isso, preciso de mudanças constantes.


"Mas nada te faz deixar de querer, quem sabe, outro dia feliz." [Solana - banda capixaba]


Ah! A vida é uma caixinha de surpresas sim!
Essas surpresas e certos acontecimentos cooperam para o nosso amadurecimento.
A vida é um eterno amadurecimento: vivência de risos, choros, conversas, discussões, beijos, abraços e brincadeiras.


E pra que o egoísmo e o orgulho se você pode ajudar alguém a ser feliz também?
Amelie Poulain em "O fabuloso destino de Amelie Poulain" [filme] ajuda um homem cego atravessar a rua, fazendo-o perceber e sentir o que se passa a sua volta. Ela vai descrevendo as pessoas, os lugares, os sons, os cheiros e tudo mais que está ao redor deles.
Esse é um simples gesto que dura muito pouco tempo. Não custa nada, nem tempo, nem dinheiro, nada que nos impeça de agir de tal maneira ou de forma parecida. Não custa nada, mas se ganha muito: um sorriso, uma gratidão.

E pra que o egoísmo e o orgulho se você pode ajudar alguém a ter um futuro melhor?
Friedrich Nietzsche em "Humano, demasiado humano" [livro] escreve assim: '[...] é que o indivíduo atenta demasiadamente para seu curto período de vida e não sente maior estímulo para trabalhar em instituições duráveis, projetadas para séculos; ele próprio quer colher a fruta da árvore que planta, e portanto, não gosta mais de plantar árvores que exigem um cuidado regular durante séculos, destinadas a sombrear várias seqüências de gerações.'
Cuidar bem de nós mesmos está intrinsecamente ligado ao cuidar bem dos nossos; não só hoje, mas pensando no futuro de todos.


Descabido é deixar de tentar!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, agosto 13, 2008

*LÁGRIMA E MÁGICA*

Um frio sem nenhum sentido!


— Alô?!
— Alô?! Renata?
— Sou eu sim. É Carem?
— Isso. Tudo bem com você?
Acabou!
Boa sorte!


Algumas dicas para ‘queijo sem goiabada’:

tome sol pela manhã / compre havaianas / vá caminhar na praia, na lagoa, no calçadão ou em qualquer outro lugar / ande de bicicleta e sinta a brisa / telefone para um amigo (a) / NÃO ligue a TV, a não ser para reunir os amigos e assistir um filme de comédia / come pipoca e tome guaraná / ouça música / NÃO ouça música que te faça lembrar dele (a) / vá na casa de alguém que te faz bem / ligue o som no volume alto e dance funck, samba, reggae, dance ou qualquer outro estilo que você goste / NÃO ligue o computador / mude a rotina do dia / faça coisas diferentes / tire fotos / ou melhor, NÃO tire fotos / leia algo que fale de cultura / vá em uma exposição de arte / assista uma peça de teatro / fique descalço (a) / NÃO escreva nada / ‘morra’ de rir / saia com os amigos / deixe o celular de lado / leia um salmo / tome sorvete de casquinha / sorria para uma criança ou um idoso na rua / seja educado (a) / deposite moedas no cofre / NÃO coma chocolate / planeje uma viagem com um (a) amigo (a) / beba muita água / contemple a natureza.


É só isso!


“Do outro lado da cidade
Eu sei que a felicidade está
Ainda vou saber exatamente
Onde ela vive e vou pra lá...”
[[Do outro lado da cidade - Roberto Carlos]]


Será que é felicidade ou será que é feliz cidade?
Parece mesmo, que por enquanto, é a cidade que está feliz...
seus arranha-céus perto das nuvens / suas ruas em trânsito [transe] constante / seus jardins coloridos, perfumados, enfeitados e enamorados / seus bairros povoados e emoldurados / suas praças e parques em rotatividade de sorrisos e gestos / seus comércios a servir / suas avenidas arborizadas sombreando o dia ensolarado / suas calçadas tocando uma canção a cada passo / sua gente perambulando pela cidade em busca da felicidade...

... e feliz é a cidade enquanto sua gente busca a felicidade!


"Lua lá no céu,
Queijo pão de mel
Na ponta do pincel,
Mostra no papel aonde encontrar
A tal da dona felicidade."
[[Dona felicidade - A turma do balão mágico]]

Onde está a felicidade?
Encontre no riso ou no olhar das pessoas na cidade.
Além da cidade ela - a felicidade - vai estar.


PS1.: felicidade é um estado de quem está feliz.
PS2.: os trechos em destaque foram retirados da música Good Luck de Ben Harper e Vanessa da Mata.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, julho 28, 2008

*VERBO*















Foto por: Julia Emerich


Há um verbo
Há um lugar em mim
Onde não há razão

Há um verbo
Há um lugar em mim
Onde há emoção

Há um verbo
Sem porção exata
Sem paixão que caiba
Em mim

Há um verbo
Amar

[[Julia Emerich - 2006]]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, julho 16, 2008

*PRA SER EXATO*

tudo agora vai ser diferente, porque aqui dentro do peito não cabe mais nada.


os papéis rabiscados... vou enviá-los
as palavras embargadas... vou dizê-las
os gestos retidos... vou demonstrá-los
os sentimentos contidos... vou expressá-los
o amor temido... vou doá-lo
e,
à vida... vou sucumbi-la.


PS.: por aqui apenas reflexos, na real, puro espetáculo.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, julho 01, 2008

*AVULSO*

essas coisas que revelam a alma e dilaceram o peito.
essas coisas com certo ar poético enquanto a prosa não chega pra transtornar estas nuvens nebulosas.
...


Querendo rabiscar o papel em branco
Deixá-lo com a minha devoção
E depositá-lo na sua caixa de correio.

[...]

Minha janela fica logo ali
Ao lado da casinha branca de ninguém
E do morro alto da solidão
Esganiçando uma canção.

[...]

Julia Emerich


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, junho 14, 2008

*AGORA É O QUE SE SEGUE*

Foto por: Raquel Magalhães

"Muitas vezes, durante os meus passeios, quando sou levado a deter-me perante uma visão e um sentimento que se me afiguram excepcionais, paro, tento abrir os olhos um pouco mais e, como quem respira fundo, enchendo os pulmões até ao limite da sua capacidade, pergunto-me o que é que será possível fazer para preservar aquilo, aquele momento, aquela coincidência entre uma visão e um sentimento."

[[Alexandre Melo em "O Viandante Esclarecido"]]


Um sentimento, um sonho, uma visão, as vezes, é contrário à realidade.
Agora é o que se segue, mesmo que seco.
Porque seca a garganta diante dos fatos lancinantes.
Mas não deve secar o sangue diante da vida que persiste.
Pois um sentimento, um sonho, uma visão, as vezes, é favorável à realidade.
Agora é o que se segue, sem secar.


Em cada passo você pode encontrar um olhar, um sorrir e uma canção... repare. Talvez assim a vida não seque.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, junho 05, 2008

*MISTURA DE COISAS BOAS*


Soa uma melodia doce
Que enche todo espaço.
Vira melancolia boa.

A melodia é de Tom
Que na melancolia do tom mais perfeito
Enche de som esta noite, esta sala.

Não há outro tom
Nem outro som
Só há o Tom
Que é Jobim.


Medley.

Já não é mais noite. É dia.
Mas ainda assim eu ouço
Antônio Carlos Jobim.

E faço assim essa poesia.
Que não é triste e nem alegre
É, todavia, uma mistura.

Um pouco de mim
Muito de Jobim
Um pouco de poesia
Muito de aprazia.


Medley.

[[Julia Emerich]]

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, maio 27, 2008

*CHUVA*

Pinga ritmicamente.
Não mente.
Refresca aquilo que queima.
E sente.
E se ele passa, me embaça.
Abre a sombrinha e se encolhe.
Mas não me proteja.
Eu quero água que lava
e, canta suave
e, às vezes, forte.
Canta sempre.
[[Julia Emerich]]


Um pouco de poesia enquanto a prosa está em aberto.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, maio 10, 2008

*OS 8 DESEJOS*

Os meus desejos são mais que oito
Os desejos são meus, são seus
Os meus 8 desejos são...

[No futuro, que não sei se será breve ou não].

Sem sombras de dúvidas, depois de ter fisgado aquele com quem juntaria as trouxas, eu viajaria para a Europa em lua de mel, feliz da vida; assim, realizaria dois sonhos: constituir família e viajar para a Europa.
Contudo, desses sonhos que mais se parecem com a nuvem do céu [se a gente chega perto, quer pegar, ela foge, fica só a impressão de ar¹.], sem ansiedade, fico com essa impressão, de que assim como o ar que eu respiro um dia os respirarei.
Mas, ao invés de ficar choramingando nuvens que não pairam sobre mim, eu juro que viajaria [léguas] em uma carreta numa estrada qualquer só para assistir ao show da Maria Rita; ao invés de ficar sentada na cadeira de balanço esperando tudo se realizar, faria equitação só para galopar pelos prados verdejantes e sentir o cabelo esvoaçar; e, ao invés de esganiçar uma canção debaixo do chuveiro, faria aula de canto e aprenderia tocar um instrumento para musicar minhas canções.
E, no fim, se nada disso se realizar, eu juro que tiro a bendita carteira de motorista, para sair pelo mundo livre, leve e solta.


¹- explicação retirada da crônica O Saveiro e a Nuvem, pertencente ao livro de crônicas “Moça deitada na grama” de Carlos Drummond de Andrade.


Meu amigo blogueiro Queiroz - Escritos Malditos - me passou esse meme, onde foi preciso contar-lhes alguns [apenas oito] dos meus desejos a serem realizados antes que o meu corpo se desfaleça e eu durma profundamente.
Passo essa tarefa para Felipe - O Nove, para Lepreu - A Rasura, e para Tony Lopes - Pessoas Comuns.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, abril 26, 2008

*SIMPLES FIM*

...
simples fim [finalidade, alvo] de todas as coisas:

o que mais importa hoje e todo dia nessa vida que é brevemente leve e pesada ao mesmo tempo é o
amor. Isso sim é o que nos faz viver em graça.

O amor => o intento maior do meu viver!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*



quinta-feira, abril 10, 2008

*MEDO*

Tenho medo
Eu tenho medo
Eu nem sei
De ficar no escuro
De sentar no muro
Tenho medo
De pisar na lua
De andar na rua

Tenho medo
Eu tenho medo
Eu nem sei
De ficar sozinha
De tocar campainha
Tenho medo
De deitar na grama
De ficar na cama

Tenho medo
De não ter você por perto
Eu nem sei
Tenho medo
Da dor que bate em meu peito
Eu nem sei
Tenho medo

Eu tenho medo
De ficar com frio
Eu nem sei
Tenho medo
De ficar sem brio
Eu nem sei
Tenho medo

Da minha rouca voz
Da minha dor atroz
Do meu cruel pavor
Do meu triste amor

[[Julia Emerich]]


=> Alguns pensamentos que se perdem na alma e que se encontram na ponta de uma caneta:

Há aqueles que me fazem ponderar sobre a retórica-eloquência:

— É preciso "emburrecer" ou simplificar a conversa/pensamento para se conviver?
— É preciso fingir desconhecer seus próprios pensamentos para se conversar?

— É preciso falar menos e ouvir mais [mesmo com aqueles que se tem intimidade] para haver convivência agradável!



Nem o saber e nem o querer,
nem tudo se divide.
Há quem não entenda.
Silêncio é sabedoria.

Enquanto se cala, se ouve a chuva, se ouve o choro, se ouve a chave e a mente abre.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, março 24, 2008

*DISCREPÂNCIAS X SEMELHANÇAS*

As discrepâncias são as substituições que ocorrem ao longo dos tempos.
As semelhanças são as necessidades permanentes de companhia e afeto.


Antoine de Saint-Exupéry escreve sobre um Pequeno Príncipe que mantinha em redoma uma rosa e, sentia-se responsável por ela.
Carlos Drummond de Andrade escreve sobre uma borboleta que veio visitar-lhe numa manhã enquanto lia o jornal e tomava café.
Xinran escreve sobre uma menina que, internada em um hospital, tinha por companhia e distração uma mosca.

Em meio a essas companhias fugazes ou permanentes, eu resolvo escrever sobre o homem pós-moderno que sustenta como companhia constante o seu telefone celular: em suas mãos, no bolso, na bolsa, na mesa de trabalho e até mesmo sobre a cama o celular posa/pousa/repousa. Dos olhos do homem ele não foge e, mantém-se estagnado até que ele vibre, pisque e/ou toque. O homem pós-moderno, então, dorme e acorda com a presença do celular, que é a sua companhia em todos os dias e em todas as horas.

E tudo isso expõe a necessidade que o homem tem de companhia/da presença de alguma espécie que transmita alguma esperança, e de algum afeto que lhe proporcione um pouco de felicidade e prazer.

Ao passar do tempo, essas presenças vão sendo substituídas. Assim, surgem as tecnologias que se tornam substitutas das mais reais e sensíveis presenças de outrora.

Que a tecnologia não nos substitua por completo e nem nos torne insensíveis!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, março 10, 2008

*ABC E ETC.*

Disseram-me que é importante sempre escrever.
Escrever todo o dia, em qualquer hora, sem apagar a palavra e/ou frase anterior, sem vontade ou mesmo sem a tal chamada inspiração [que não sei se existe].
Numa busca incessante pelo texto bom e/ou certo, fico, por fim, sem saber o que escrever.

A rotina mudou, as palavras fugiram, o café acabou e, agora, vejo o papel em branco e a caneta que me causa estranheza diante de mim. Assim, perante esse cenário que fulgura os meus dias, escolho as letras postas e bem articuladas de um livro na estante, deixando o papel em branco se cobrir de uma cor empoeirada.

Alergia!

— Atchin.

Limpo a poeira e tento mais uma vez depositar palavras em um papel estendido ao horizonte: abc e etc..


PS.: obrigada Lepreu e Mara pelas palavras trocadas.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

*PONDERAÇÕES*

tenho falado de amor, mas não tenho dito que estou amando alguém.
são palavras que um dia escrevi e, que agora deixo aqui para vocês.
o amor pode estar por aqui, pode chegar a qualquer momento.
ainda não sei.

a gente discursava sobre o saber...
é tão difícil entender política, compreender filosofia, conhecer música e arte, falar e ler idiomas, discutir religião, ... a fundo!
admiramos todos os que possuem retórica.

... e vai acabando mais um mês. e eu quero mais.
quero conhecer o que ainda não sei e entender o que ainda não posso.
quero pesar tudo e avaliar.

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Diálogo:

— Esse é seu blog? [ele]

— Sim. [eu]

— É de poesia. Ah! O meu é melhor. [ele]

— Cada um gosta de escrever de forma diferente do outro. [eu]

SILÊNCIO!


não pense que tudo por aqui é poesia.
tudo aqui é muito mais que frases poéticas, rimas, palavras cabidas.
tudo aqui pode transbordar de emoção e de sensibilidade sim.
mas ainda assim falar da vida de forma razoável e real.
é só parar e reparar.

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enquanto ando sem tempo, encontro espaços para trabalhar, ler e meditar...
leio e recomendo:
As Boas Mulheres da China

=> um livro que retrata as tristes e chocantes histórias das mulheres da China durante o regime comunista.

um trecho:
"... Abri caminho por entre a multidão, gesticulando na direção dela e dizendo aos soluços que aquela era minha filha. Os escombros não me deixavam passar. As pessoas começaram a ajudar, tentaram escalar a parede onde a minha filha estava presa, mas a altura era de no mínimo dois andares e ninguém tinha ferramentas. Eu não parava de gritar o nome de Xiao Ping, mas ela não me ouvia.
Algumas mulheres, e depois uns homens, começaram a gritar junto comigo, para me ajudar. E logo estava todo mundo gritando 'Xiao Ping! Xiao Ping!'
Ela finalmente nos ouviu. Levantou a cabeça e usou a mão livre, a esquerda, para afastar o cabelo do rosto. Eu sabia que ela estava me procurando. Parecia confusa, não conseguia me enxergar entre aquela gente nua ou seminua. Um homem ao meu lado começou a empurrar para um lado as pessoas que estavam ao meu redor. De início ninguém entendeu o que ele estava fazendo, mas logo ficou claro que ele estava tentando abrir um grande espaço à minha volta para que Xiao Ping pudesse me ver. Deu certo. Xiao Ping gritou 'Mamãe!' e me acenou com a mão livre.
Gritei de volta, mas minha voz estava rouca e fraca. Então, levantei os braços e acenei para ela. Não sei quanto tempo passamos chamando e acenando. Finalmente alguém me fez sentar. Ainda havia um grande espaço vazio ao meu redor, de modo que Xiao Ping podia me ver. Ela também estava cansada, a cabeça pendia e ela arquejava. Pensando naquele momento, fico perguntando por que ela não gritou para que eu a salvasse. Nunca disse nada como 'Mamãe, me salve' nada disso."


Que tudo pareça extremamente doce!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

*CARTA PARA VOCÊ*

... e continuo com essas e estas palavras [rabiscadas há tempo] que saltam entre nuvens nebulosas tentando enxergar um raio de sol qualquer.

Se você entendesse um pouco da minha escrita, escreveria palavras em versos, manchadas de tinta viva de uma cor qualquer, que refletisse o que meu peito prende e teima não soltar.
Se você compreendesse um tanto o bastante da palavra “abstrato” em nós marcada, desenharia formas disformes com cores diversas, que representasse o que o oculto em nós anseia mostrar.
Como ainda acho que você não entende e nem tampouco compreende recados codificados que em nossas volta insiste em permanecer cadenciado em letras, cores e formas, deixo escorrer cada código em você, que depois se juntarão sem nexo, sem rima e sem sentido. Talvez nem se encontrem e, cairá cada um deles num abismo sem chão.
Quem sabe assim, todos eles aprendam a voar e permaneçam a vagar, até o dia que quando estiveres pronto e todos os códigos prontos também, se juntem diante de você num emaranhado surreal, mas que agora decifra os meus, os seus, os nossos mais ousados desejos e sonhos que outrora existiu e, quem sabe, por sorte, possa ainda existir.

Permita-se decifrar o que poucos podem.


PS.: para alguém que não sabe [nada platônico!].

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, janeiro 29, 2008

*O AMOR*

[ainda não li essa frase ocupando um espaço para mim]

... e eu teimava para postar estas palavras que falam do amor que não se sabe evidentemente!


O amor é um misto de claridade e escuridão
O amor precisa ser claro para amadurecer

E precisa ser escuro para sossegar

O amor precisa de mim e eu preciso dele
O amor não deve bater na porta para entrar

O amor deve escorregar pelas frestas e chegar sorrateiro

O amor sopra no rosto suavemente, depois beija e mora em mim

O amor é leve e me deixa como quem mora nas nuvens

O amor se escreve em qualquer lugar e ocupa um espaço

Do amor eu não sei quase nada

Sei que não é chuva e nem é sol

Não é doce mas me deixa dócil

O amor não custa cem reais e nem se converte em outra moeda

O amor é doação que nada quer em troca
E dele eu continuo sem saber exato

Exatidão é o amor

Queria que o amor viesse pra mim

Mas ele não vem e eu não sei como procurá-lo mais


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, janeiro 21, 2008

*HOJE*

hoje uma chuva
que se transforma em lágrima e cai.
hoje um vazio
que se faz gelo e congela a alma.
hoje uma luz
que se encontra na greta da janela.

hoje um não
que se transforma em dia,
que se faz poesia,
que se encontra e pronuncia...
amanhã.


PS.: espere pelo amanhã!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, janeiro 12, 2008

*AQUI JAZ*

“Uma vez, no Arizona, estava fazendo jogging em uma estrada de terra que seguia sinuosa em meio a artemísias e cactos arborescentes quanto topei com uma clínica para desordens alimentares que acometem os ricos. Saí de minha trilha poeirenta do deserto para uma pista de corrida bem tratada que, logo descobri, era uma milha de doze etapas. Avisos com dizeres motivadores como “Aguarde um milagre!” acompanhavam a trilha e, à medida que avançava, passava pelas etapas do plano de recuperação semelhante ao das associações anônimas. Avisos na trilha insistiam para que o corredor admitisse que seu corpo estava fora de controle e que ele não tinha poder para controlar seus hábitos alimentares. Com mais de um quilômetro, a trilha passava para etapas mais avançadas, para a necessidade de depender de amigos e de uma Força Maior. Avisos colocados ao lado de bancos em cada uma das doze etapas encorajavam os participantes a descansar e a refletir sobre seu progresso.
A trilha terminava num cemitério com pequenas inscrições em sepulturas. Abaxei-me para ler cada uma delas, pingando suor e arquejando por causa do calor do deserto. “Aqui jaz meu medo de intimidade”, escreveu uma tal Donna, em 15 de setembro, exatamente três dias antes. Ela havia pintado a sepultura com tinta amarela, vermelha e azul. Outros haviam sepultado coisas como cigarros, obsessão por chocolate, remédios para emagrecer, falta de autocontrole, necessidade de controlar os outros, hábito de mentir.”
[Trecho retirado do livro O Deus (in)visível de Philip Yancey]

Não era minha intenção postar aqui textos sobre o início do novo ano que se inicia com suas dicas fabulosas de felicidade e mudanças na vida [Nada contra textos assim. Eles fazem bem.]. Mas, ao ler o trecho citado acima, fiquei a meditar nele e, incomodou-me o fato de que realmente se faz necessário em nosso viver sepultarmos certas nocividades para que os sonhos renasçam sem resquícios danosos. E, talvez, o início de ano seja uma data oportuna para fazermos isso.
Na minha sepultura a inscrição: “Aqui, jaz o medo de enfrentar desafios”.


“Todas as noites, depois do jantar, a molecada do bairro se amontoava no portão da minha casa: era a hora negra das histórias dos lobisomens, bruxas, almas-penadas, tinha uma procissão de caveiras que passava à meia-noite, cantando, ô Deus! Como eu tremia...”
[Lygia Fagundes Telles]

Não quero tremer ao ouvir negras histórias, por isso não as conte para mim.


Aqui jaz todas as coisas ruins!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, janeiro 02, 2008

*NÃO SOU FOFOCA, SOU CULTURA*

Primeiro presente do ano publicado no Caderno 2 do Jornal A Gazeta do dia 02 de janeiro de 2008 que me deixou surpresa, feliz e que, principalmente, me trouxe mais incentivo para continuar com os meus “sussurros da alma”.

Agradeço a Mara Coradello por este reconhecimento tão significativo para mim. Ao contrário do que muitos pensam blog também é cultura.

Deixo aqui o recorte da publicação, retirado do blog da autora da crônica:


Pequena retrospectiva literária de 2007

Mara Coradello

Canais de televisão listaram os fatos importantes de 2007, críticos de música das canções e tantos outros de suas memórias particulares. Todo final de ano, pesa esta medida inventada pelos fenícios, egípcios ou babilônios: o calendário.
De qualquer forma vou fazer minha atrasada retrospectiva que tem cara de perspectiva. Vou falar dos escritores capixabas, sequer publicados em papel, que li neste ano, no meio tão mal falado dos blogs. Eu particularmente acredito, como dito naquela palestra pelo poeta Alexei Bueno “a internet é igual ao Exu na macumba: não faz nem para bem nem para mal; você utiliza como quiser”.
O primeiro citado, Elton Pinheiro, foi meu colega de indicação no Prêmio Taru, uma premiação simpática e impecável. Pois bem, Elton escreve com uma dicção bela e original no blog Polifonia (http://www.eltonpinheiro.blogspot.com/). Vale muito a visita. Gosto também da delicadeza da Julia Emerick que chamou o que escreve de “sussurros da alma”. Peço que ela continue no seu http://www.brilhando.blogspot.com/. Para contrastar, que tal a acidez engraçada de Rodrigo Oliveira na sua Casa de Loucos (http://www.berghof.blogger.com.br/)?
Um que conheço desde o ano passado é Saulo Ribeiro, com seu personagem Duda Bandit, um beatinik lírico, que bebeu, além de cerveja, dos clássicos da boa literatura. Leia em http://www.deitandocabelo.blogspot.com/.
E que tal conhecer as reminiscências de André Oliveira, cronista que tem poucos escritos publicados, mas que já desponta com exemplar cuidado e criatividade: http://www.arasura.blogspot.com/?
Até quem abandonou o blog, como Thiago Raft, ora com palavras líricas, ora satíricas no http://www.feefaca.blogspot.com/merece ser lembrado, porque sempre existem os arquivos.
Não poderia deixar de fora blogs que descobri em 2006, mas mantiveram a forma em 2007, como o do Carlos Calenti, que mudou para o Rio de Janeiro, e ainda hoje continua com seu texto fluido e de sinceridade tocante. Ele “fala” justamente da mudança em textos mais recentes: http://www.plocker.blogger.com.br/.
Por falar em sinceridade, é a meu ver, uma marca dos novíssimos escritores capixabas destes blogs, a sinceridade sem cair no vazio umbiguista do confessional, a exemplo cito Kênia Freitas: http://www.provento.blogger.com.br/.
Fecho com a leveza da muito mais que publicitária Elisa Ribs, do www.prolixaporamor.blogspot.com e com o agridoce da moça misteriosa, Cecília ou não, do http://www.dansesurlamerde.blogspot.com/ .
Para tornar mais fácil para o internauta publicarei todos os links no meu. Sim também tenho um blog, o www.cadernobranco.blogger.com.br . E feliz 2008 com muitas leituras, virtuais ou no papel.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, dezembro 27, 2007

*DIARIAMENTE*

Para o hálito: chiclete trident sabor menta
Para a solitude: abraço de amigo
Para distrair: papel e caneta
Para refletir: leitura
Para descansar: cama
Para admirar: estrelas
Para relaxar: roda de amigos
Para a vida: cor
Para a felicidade: retidão
Para acordar: sorriso
Para o amanhã: esperança
Para o cabelo: cachos
Para a boca: brilho
Para a mão: a outra
Para os ouvidos: música
Para os pés: havaianas
Para o coração: amor
Para o papel: um verso
Para despertar: café forte
Para dor de cabeça: paisagem
Para o computador: óculos
Para a saúde: caminhada
Para beber: água
Para o banho: água quente
Para a alegria: cantar
Para assistir TV: cultura
Para dormir: escuro
Para mim: o que eu gosto diariamente
Para todos: um novo ano feliz

PS.: versão minha da música "Diariamente" da Marisa Monte.


Salve Vidas, doe sangue!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, dezembro 12, 2007

*UM ESTRANHO POR TRÁS DA PORTA*

Há muito tempo atrás algo aconteceu.
Não sei se era de fato um fato ou apenas alucinação.
Mas, aconteceu.

A seguir uma história narrada, baseada em fatos reais, com alterações necessárias para dar um ar tenebroso.

Eram férias e, como era de praxe, a família estava toda reunida na casa da Vó e do Vô.

Acontecia assim:

Um casal de velhinhos tinha 10 filhos, que, por conseguinte tinham filhos também.
Nas férias das crianças, os filhos dos velhinhos com as suas crianças se reuniam na casa dos velhinhos.
Assim eram todas as férias.
Numa noite destas, onde todos estavam reunidos na saudosa casa dos velhinhos, algo aconteceu com uns netinhos (três irmãos) que, não se sabe por que cargas d’água tiveram de ir na casa deles, que ficava no final da mesma rua da casa dos seus avós.

Já era noite escura e sem luar.

Então foram os três irmãos juntos para casa.
Chegando lá, o irmão mais novo foi tomar banho no banheiro que ficava nos fundos da casa. E as duas irmãs ficaram dentro da casa.
Tudo parecia correr calmamente, até que, de repente, de um silêncio comum surge um barulho incomum. Ouviu-se um grunhido vindo do lado de fora. Era o portão a se mexer. E, para desespero das menininhas, elas se lembraram que o portão estava destrancado e a porta da sala estava entreaberta.
Então, as irmãzinhas se posicionaram imobilizadas por trás da porta de um cômodo da casa que ficava no final do longo corredor e, permaneceram a olhar atentas para a porta da sala como se algo fosse surgir por ela. Puderam perceber que havia alguém estranho e, para elas era de fisionomia tenebrosa, falando coisas indecifráveis, querendo entrar pela sala.

O medo apoderou-se das duas.

Eram três crianças sozinhas em casa numa noite escura e sem luar e com um ser estranho querendo entrar para fazer sei lá o quê.

— Macacos me mordam!!! (eu digo)

Essas crianças não tinham escapatória e nem muito a fazer. O ser estranho continuava na porta entreaberta e a falar coisas indecifráveis e, sua cara feia só fazia aumentar o medo nas duas menininhas.
O menino, que para elas era símbolo de proteção, continuava a tomar o seu banho sem nada saber ou mesmo desconfiar e, as meninas apavoradas, esperando uma intervenção sobrenatural acontecer, resolveram se trancar no quarto dos pais que ficava no final do longo corredor.

Não se sabia o que fazer!
Havia um ser estranho e tenebroso querendo entrar na casa e as crianças estavam sozinhas e desesperadas.

Mas...
Como um vento que sopra na cara, um raio que cai na cabeça, assim a lembrança sobreveio a elas. Lembraram-se dos pais que sempre lhes ensinara a orar em qualquer situação... na alegria, na tristeza, diante do medo ou não.
Foi então que as duas menininhas se colocaram de joelhos na beirada da cama e começaram a orar com a voz baixa e embargada e em meio a soluços de choro.
Ali, trancadas no quarto, orando e sem perceber o tempo passar, foi que a cena se desmanchou.
Quando as irmãzinhas saíram do quarto dos pais e olharam para a porta da sala, não havia mais ninguém, não havia mais nenhum ser estranho e tenebroso a falar coisas indecifráveis e causar pânico. Assim as menininhas correram para o banheiro dos fundos, onde o irmão mais novo estava, e contaram pra ele o que tinha acontecido.
Os três irmãos resolveram olhar a casa inteira e conferir se realmente não havia mais ninguém por lá. Correram e trancaram o portão e a porta da sala, olharam cada cômodo da casa e, puderam assim respirar aliviados e profundamente, num êxtase de perplexidade.

FIM

PS.: Fica aqui exposto o meu fracasso para historinhas e/ou estorinhas de terror. Tentativa fracassada. Não gostei. Mas, como havia prometido, publiquei para vocês. Continuarei com os meus sussurros da alma.


Salvando vidas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para manter os estoques dos bancos de sangue em números razoáveis é preciso que entre 3% e 5% da população faça doações regularmente. No entanto, no Brasil esse número não passa de 2%, um quadro preocupante. Mas isso pode mudar.
Fonte: revista bb.com.você, ano 8, nº 46, set/out 2007

“... só enquanto eu respirar vou me lembrar de você.”
[O Teatro Mágico]
Eles estiveram aqui e eu fui comemorar meu aniversário lá. Simplesmente mágico.


E a última notícia:
por necessidade de soltar todas as minhas frases, cedi ao fotolog...
pequena estrela


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, novembro 26, 2007

*NOVA SINTONIA*


PRIMAVERA
(Formidável Família Musical)

La la lin lin lin lon lon lon lon
Passo todo dia nessa estrada
Mas não presto atenção
Canto todo dia nessa estrada
Mas não canto com paixão
Se eu vou cantar pra todo mundo ouvir
Vou cantar algo que é pra te fazer feliz
Te dar uma flor, tentar te ver sorrir
Ouvindo a melodia solta por aí
La la lin lin lin lon lon lon lon
Para rarara papa papara
Para papa papara
Para rarara para papara
Papara papara
La la lin lin lin lon lon lon lon
Já é primavera escolha sua flor
Pode ser de qualquer cor
Entre na estação e vá pra onde for
Se for, eu vou
Eu vou cantar pra todo mundo ouvir
Vou cantar algo que é pra te fazer feliz
Te dar uma flor, tentar te ver sorrir
Ouvindo a melodia solta por aí
A linda melodia solta por aí

Esse é o som que descobri na semana passada e não paro de ouvir.
A banda é de Salvador, Bahia.
Se quiser saber mais sobre a banda e ouvir mais músicas, entre no site:
Formidável Família Musical


E aqui, outra pequena demonstração dos meus diálogos virtuais:

— e além do mais, do que mais se precisa?

— precisa de paz e deleite sem fim para sonhar enquanto se canta.



PS.:
Para os que estão esperando a historinha de terror, se preparem, será o próximo post. Não sei se ficará bom, pois é a minha primeira tentativa de contar-lhes uma história/estória de terror, graças ao incentivo da querida Luma.


.Vamos soltar todas as frases no ar para que elas formem uma nuvem no céu só pra gente.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*


sexta-feira, novembro 16, 2007

*PERFEIÇÃO*

[[foto - lagoa Juparanã, Linhares/ES]]

... Deus sorriu pra nós e,
a canção ecoou sem pedir licença.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, novembro 12, 2007

*ALIVE*

Não é todo dia
É todo momento.
Intento...
O amor.

É preciso viver sem letra pra descrever e sem imagem pra eternizar.
É preciso simplesmente viver.

E vai um dia,
coisas essas,
pois há um verbo em mim.


PS.: em breve uma historinha de terrror para crianças e adultos.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, outubro 31, 2007

*PURO*

"Se há lágrimas,
escorrem
transparentes.

Se há alma,
decore
transparente.

E,
límpido será."
[[Julia Emerich]]


melhor viver em busca de pureza e deixar-se transparente ser
do que afogar-se em escuridão melancólica.
deixe as lágrimas escorrerem.
deixe a alma se mostrar.
deixe o coração falar.


"Espete se de fato flor!
Queime se de fato sol!"
[[Solana - banda capixaba]]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, outubro 23, 2007

*COISAS ESTAS*

Um desabafo de Mário Quintana:

(...) Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim". Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!!! (...)


Quero o mesmo desabafo.



talvez, e quem sabe, por certo
o avesso de tudo virasse as coisas para o lado certo.


sábias agudezas... refinamentos.



Apesar de sentir as asperezas da vida no meu dia-a-dia,
me sinto feliz...
acordo e faz dia.



Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, outubro 10, 2007

*UM SONHO*

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
(Cecília Meireles)





Um dia desses sonhei com uma espécie de paraíso.
Rubem Alves também sonhou com um jardim [uma espécie de paraíso]. Guimarães Rosa descreveu um jardim [uma espécie de paraíso]. Por que eu não poderia sonhar?!


Encantamento:

Os lagos transparentes corriam calmos
Nos campos verdes eu repousava
As flores mais belas e coloridas enchiam o ar com seus doces aromas
Pássaros cantavam e borboletas dançavam fulgurando no céu
Havia coelhos e cangurus saltitantes
Patos, ovelhas, pavões e outros bichos
Todos eles livres pelos campos a viver
Os frutos aprazíveis saciavam nossa fome
Tudo era feito com perfeição
Era beleza, calma, aromas e encanto
As árvores altas com sombra nos abrigavam
E as árvores baixas de delicadeza nos cativavam
E repousávamos tranqüilos
O sol e a lua,
O céu e as estrelas
A chuva e todo o firmamento nos agraciava
E plácido era.


Diálogo:

— Tudo seria perfeito. Mas sem a perfeita presença de Deus, seria uma distância.
— Mas, se Deus tivesse criado tudo pra ser perfeito não existiria o que existe. E só existe o que existe, fora isso é conjectura.


Pedido:

Reservo aqui um espaço para que justiça seja feita para Ana Virgínia, brasileira presa e torturada em Lisboa.
Leia e assine. Clique aqui


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, outubro 02, 2007

*ROTEIRO*

¿Qual deve ser o roteiro?
¿Causas Sociais ou Lei Moral?


Talvez as causas socias (fome, guerra, falta de abrigo, desonestidade, corrupção, carência de atendimento hospitalar, crueldade, avareza, etc.) existam em decorrência da decadência da lei moral (consciência do certo e errado).

A lei moral nos traz um senso de certo e errado e, consequentemente, evoca a justiça, o respeito, a generosidade, a retidão, e outras qualidades. Em contrapartida, a ignorância à lei moral somada ao livre-arbítrio, pode suscitar a crueldade dentro de nós.

Lewis fala da lei moral como se existisse “dentro de nós mesmos uma espécie de influência ou ordem, que procura nos convencer a nos comportar de determinada forma. E é precisamente isso que encontramos dentro de nós... algo que orienta o universo e que aparece em mim como uma lei que me pressiona a fazer o certo e me faz sentir-me responsável e pouco confortável quando faço a coisa errada.”¹

Assim como existe a lei moral, há também o livre-arbítrio (liberdade de escolha) e, é ele que coloca em jogo a lei moral; porque se existisse apenas a lei moral seríamos intencionados a fazer somente o que é bom, mas, com o livre arbítrio o homem tende a experimentar o que é mau.

Porém, Lewis também afirma que “... o livre-arbítrio, embora possibilite o mal, também é a única coisa que torna possível qualquer tipo de amor ou bondade ou alegria que valha a pena.”², assim temos liberdade de escolhas e, não agimos como máquinas e/ou robôs.

O que pretendo questionar é a liberdade de escolha, a falta de ordem social e educacional em demasia que hoje encontramos. Penso eu, que tudo isso acaba por causar danos humanitários irreparáveis. Isso talvez ocorra porque o homem se apegou incontrolavelmente ao livre-arbítrio e se esqueceu da lei moral.

Deveria existir uma dosagem certa de lei moral e livre-arbítrio dentro de nós.

Devemos colocar em questão os valores humanitários que estamos perdendo em detrimento de uma liberdade de escolha e/ou pensamento egoísta; olhar para as causas sociais e analisarmos o valor inestimável da lei moral para a humanidade e, assim, optarmos por um ROTEIRO de vida benéfico para todos.

Acredito na religião e na educação como meios facilitadores da formação do caráter humano sadio.

Calvino já dizia assim: "Ao lado de uma igreja, uma escola!".

¹ e ² - trechos retirados do livro: Deus em questão: C. S. Lewis e Sigmund Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida de Armand M. Nicholi.

* temos que ter por prioridade a dor do próximo.

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, setembro 04, 2007

*PERFIL MEU*

Este é o meu novo perfil do orkut:

Eu sou Julinha, Xúrias, Flautinha Mágica, Xatúlia, Julisss e assim por diante. Sou também estrela, e você vai saber por que se me conhecer. Talvez por isso eu prefira o céu estrelado da noite em um lual na praia e não o dia de sol escaldante. Gosto das cores no papel, na parede, na tela. Mas prefiro vestir jeans, preto e branco. Sou básica e amo calçar havaianas. Roupa social não me atrai, pelo contrário, me dá tristeza pensar que tenho que usar. Daí dá pra concluir que não me agrado de eventos formais como casamento, formatura e talz. Agora, festinhas e comemorações descontraídas, isso sim me agrada. Parece até ironia do destino mas, nunca tive formatura, nem fui dama de honra, nem testemunha de casamento ou coisa parecida. Na minha festinha de 15 anos ganhei um cartão de um amor platônico e o guardo até hoje. Amores platônicos eu tive alguns. Hoje não tenho mais nenhum (ainda bem) e nem acredito em príncipe encantado. Vale encantado só na TV. Não gosto de ver novelas e nem gosto de filmes de terror e comédia (não sinto medo e nem acho engraçado). Gosto de ler. Nunca li a trilogia do Sr. dos Anéis e nem tenho tanta vontade assim. Uso óculos de grau e de sol também. Já tive os cabelos compridos. Nunca fui gorda e morro de medo de engordar. Fiquei 2 anos sem tomar refrigerantes e evitando o açúcar. Não vou ligar se você arrotar. Tenho pavor de barata e tenho muitos motivos para isso. Se você quer saber já mastiguei barata quando era pequena e também já senti dezenas de baratas passeando por cima de mim, quer mais? Não gosto de gatos e, nem vou falar o que tenho vontade de fazer com eles. Odeio pernilongo zunindo no meu ouvido (fico irritada). Já tive cachorros, passarinhos, periquitos, peixinhos. Se eu fosse um bichinho queria ser uma borboleta colorida a voar. Tenho os bichinhos de brinquedos que fazem a alegria dos priminhos: duas tartarugas chamadas Dorothéia e Salomé , um calango chamado Nicolau. Ah! Tenho alergia a camarão. Já colecionei papéis de carta, moedas e calendários. Guardo todas as cartas e cartões. Escrevo poesias. Faço letra e melodia. Tenho um blog e não gosto de flogs. Ganhei um Anjo através do blog e ele será para sempre até ficarmos velhinhos. Também tenho um amor (fica entre nós). Tenho amigos inesquecíveis e imprescindíveis como os XN´s (grupo estabelecido e uniformizado de amigos) e os individuais que são especiais. Amo nutella, café, frango agridoce, lasanha e bolo de farelo. Meu café é saboreado por muitos e até tem uma comunidade. O bolo de farelo ou bolo de terra é segredo, por isso experimente. Gosto de experimentar coisas novas, de viajar e sair da rotina. Corto a minha franja, faço as minhas unhas. Adoro parque de diversão. Não gosto de shopping. Prefiro ouvir músicas nacionais. O show da Marisa Monte foi o melhor que já fui. Ainda vou ao show da Maria Rita. E quero que Los Hermanos volte. Já fui no Som do Céu e ouvi o som que vem do céu. Detesto acordar cedo. Tenho nojo de espremer cravos e espinhas. Amo caminhar e andar de bicicleta. Um dia quero pedalar pelas ruas de Veneza. Não me chame para subir novamente o Mestre Álvaro. Tenho pressão baixa e posso desmaiar. Nunca reprovei. Já fiquei toda ralada numa tentativa frustrada de fuga na escola. Ainda quero aprender jogar xadrez. Atrevo-me a jogar sinuca e baralho. Amo jogar war. E não vou dançar forró até o dia que eu fizer aula. Queria ter aprendido a dançar, música e praticado esportes desde nova. Dancei funck num baile de formatura. Dei trotes em amigos (e sou boa nisso). Já beijei uma pessoa pensando que era outra. Ainda não aprendi a nadar e nem tirei a carteira de motorista. Não tenho piercing e nem tatoo. Gosto de chamar as pessoas queridas por codinomes. Odeio mentira e falsidade. Não fico com raiva de ninguém. Mas sei brigar quando precisa. Sou sensível. Não sou boba, sou bobinha. Ia contar um segredo, mas desisti. É que sou mineira e o mistério eu não conto. Tento ser brilho onde eu estiver, assim como as estrelas.


Teria muitas outras coisas para acrescentar mas, sei que a paciência moderna não é igual a de Jó. rs*


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, agosto 21, 2007

*SEM TÍTULO*

Por eu estar vivendo uma nova etapa em minha vida tenho andado um pouco distante desse espaço que tanto me faz bem. Tudo tem acontecido de forma inesperada. E tudo está me fazendo bem.
Tenho vivido pelas terras mineiras. Revivendo minas: mistura, minérios e mistérios. Por trás dos montes agora. Antes era de frente ao mar. Minas Gerais... só pra te amar.

Vou deixar por aqui uma demonstração do que me atrevo a fazer em certos momentos... sozinha ou com amigos. Ouçam!


à esquerda: Xatêssa (Maressa)/à direita: Xatúlia (eu)

Eu gosto das coisas bem assim
Parece sem sentido, mas depois se encaixa
É como este amor que ninguém mais vê
Quem tá do outro lado da cidade acha

Como a folha velha cai
A paixão dela vai
Se espalhando pela rua
Se mostrando toda nua

E não adianta querer se mostrar
Se do outro lado ninguém me quer ver
Eu já tentei de tudo prá me encontrar
Mas eu descobri que eu só me encontro em você

Como a chuva no telhado
Você cai como um compasso
Molha o nosso amor calado
Invadindo o meu espaço

E não adianta querer se mostrar
Se do outro lado ninguém me quer ver
Eu já tentei de tudo prá me encontrar
Mas eu descobri que eu só me encontro em você

[[composição de Julia Emerich e Maressa Moura]]


a gente faz letra e melodia pra viver.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, agosto 11, 2007

*WITHOUT ANSWERS*

forma
reforma
disforma
transforma
conforma
informa
forma
[[José Lino Grünewald (1959)]]


se você não entende inglês, eu vou traduzir...
without answers = sem respostas
mas,
se você não entende a "forma" que a vida tem, eu sou incapaz de traduzir, porque eu mesma, por vezes, a desconheço.

Por que não existem respostas pras coisas feitas pelo coração?


UM MILAGRE!
é o que quero e não respostas.

"Do comedor saiu comida,
e do forte saiu doçura."
Juízes 14.14
(comida e mel foi o que Sansão encontrou ao matar o leão.)


des-informa... a forma... transforma... e forma.
não quero mais informação. quero transformação. não me conformo.
e, se tudo parece confuso é porque não tenho respostas.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, agosto 01, 2007

*PAUSA*

"E é sempre bom lembrar que apesar de confundirmos intensidade com urgência, não há pressa. As coisas todas poderão esperar por você, elas me dizem que concordam. E há música estendida nas calçadas. E eu penso como deve ser acordar todos os dias" (Mara Coradello - escritora capixaba)


para dizer que estou nas pausas da canção. sem pressa. deixando o tempo passar para depois prosseguir com todas as notas que virão adiante. estou buscando o necessário para o dia e para o amanhã. sem pressa. descansando o coração. buscando uma canção. pensando em todas as notas, em todas as possibilidades. escrevendo o refrão e cada verso. sem pressa. vou pisar e observar cada passo e toda música. vou acordar a cada manhã para o lindo dia. vou sentir as pausas, as notas e a letra. vou viver em melodia mesmo em meu silêncio. sem pressa. só preciso de pausa hoje.

a pausa se faz necessária para a música assim como o silêncio se faz necessário para o ser humano, pois em meio a pausa e o silêncio existem as reflexões.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, julho 05, 2007

*CALL ME*

A seguir, uma fábula baseada em fatos verídicos.
Os nomes empregados são fictícios.
Faz-se uso de trechos da música Telefone da banda capixaba Crivo.


“O telefone não toca...”

trim-trim-trim.

— Alô!
— Ei minha bela Duda.
— Caio (ela fala com uma voz morosa e branda). Que bom que você me ligou...

Caio ligava para Duda sempre. Era um bem querer quase que diário. Duda sentia prazer em ouvir a voz viril de Caio que soava doce aos seus ouvidos. Ele ligava para Duda quando ela menos esperava e quando esperava também. O telefone de Duda tocava praticamente todos os dias (era uma repetição contínua de um mesmo som; parecia até que era cd arranhado) e, em diversas situações (e ela nem se importava): quando lavando as vasilhas, quando tomando banho, quando dormindo, quando lendo, quando secando os cabelos ou fazendo as unhas e, também, ligava apenas para cantar uma canção e para desejar boa noite e bom dia para ela. Caio fazia questão de demonstrar para Duda o quanto ela era importante para ele. Os dois perdiam, ou melhor, ganhavam horas a fio (e haja fio!) em uma ligação. E, Duda não se cansava de ouvir o som da voz, as histórias e as juras de amor de Caio. O tempo parecia se estagnar e, Duda ficava como quem sonha, hipnotizada ao ouvir a voz de Caio (que existia por meio de sinais elétricos). Duda criava asas e se transportava para o mundo encantado de Caio. Era a transmissão mais real. Duda ficava com suadas mãos e um pulsar constante no coração. Era tanta emoção que quase não cabia no seu coração. Duda era a namoradinha de Caio. Até que um dia o telefone parou de tocar. Agora, quem provavelmente e, para Duda, lamentavelmente deveria esperar ansiosamente pelas ligações de Caio era a...

trim-trim-trim.

— Alô!
— Oi!
— Quem é?
— Aqui é o Geraldo. É da casa do Carlos?
— Não. Não tem nenhum Carlos aqui.
— Desculpa. Foi engano.

pum pum pum...

“o telefone não toca e, eu acreditando que não terminou...”

THE END


Se por acaso você se identificou com o enredo acima, não pense que é apenas coincidência, pois sempre tem alguém que espera ansiosamente ouvir a sua voz no outro lado da linha telefônica.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, julho 03, 2007

*SEM A MESMA SIGNIFICAÇÃO*















Tudo se torna diferente,
com intensidade diferente,
com aparência diferente.
É só reparar os pormenores das coisas.
E tudo se torna diferente,
com forma diferente,
com cor diferente.
É só viver com gana por boas coisas.
E assim tudo é diferente.


SINÔNIMOS

Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.
[[Mário Quintana - Caderno H]]


(Foto de Julia Emerich - eu)


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, junho 27, 2007

*CONVENIÊNCIA*

=> des-stress virtual:

Eu disse para ele que estava estressada. Ele perguntou se era estressada do tipo cansada e talz ou se era do tipo nervosinha. Eu disse que era do tipo nervosinha, e que estava ansiosa. Ele perguntou o que poderia fazer. Eu disse que não sabia e que estava com vontade de sumir, de esquecer do mundo.

Jogo da Pontuação

ELE: eu quero que você queira para ver se cabe querer o querido.

EU: querer querido eu quero saber se seremos queridos.

ELE: queridos sim somos quero querer ser sempre e mais muito mais querido.

EU: queridos seremos sempre querido e mais e sempre muito querer.

ELE: querendo sempre assim o querer seremos sempre muito queridos.

EU: quero sempre querer-te bem querido e querer ser querida.

ELE: querida serás sempre no meu bem querer querendo assim querida ser bem querido.

EU: querido és em todo o tempo querido e querida espero sempre ser.

ELE: querido e querida sempre queridos seremos sendo assim sempre queridos queridos sempre querermos ser.

EU: querer é querer-te sempre querido e querer assim é querer bem.


No fim desse jogo ele me perguntou:
— consegui?

Eu respondi:
— ahhhhhhhhh!
Ele conseguiu me fazer esquecer o mundo por algum tempo.

E ainda me dizem que os homens são seres insensíveis! Arre Égua! (claro que nós, mulheres, somos mais sensíveis.)


PS1.: Isso tudo relatado é pura conveniência e exclusividade minha e dele. (risos);
PS2.: Direitos autorais do jogo reservados à ele;
PS3.: I Miss You.



Vídeo- cantora: Björk / música: I Miss You

A cantora islandesa Björk volta ao Brasil pela segunda vez em outubro para o TIM Festival. O evento acontecerá entre os dias 25 e 31 de outubro de 2007 e, os shows acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Vitória.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, junho 25, 2007

*DESCONHECIMENTO*

desconheço a minha forma engaiolada, e desconheço a minha receita de bolo, e desconheço a minha roupa usada, e desconheço o meu livro rabiscado, e desconheço a minha máscara velha, e desconheço o meu chinelo largado, e desconheço as minhas palavras encontradas, e desconheço o meu casulo abandonado, e desconheço o que um dia eu conheci.

"Quem conhece a sua ignorância
revela a mais alta sapiência.
Quem ignora sua própria ignorância
Vive na mais profunda solidão.
Não sucumbe à ilusão
Quem conhece a ilusão como ilusão.
O sábio conhece o seu não-saber,
E essa consciência do não-saber
O preserva de toda ilusão. "
[[Lao-tsé - poema 71 do Tao Te Ching]]


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
[[Clarice Lispector]]

Viver ultrapassa toda compreensão.
É muito mais que saber.
Viver é uma festa.
É sucumbir-se à glória divina.
E, não entender
é despojar de si mesmo.
É abster das significações
e encontrar o que é sublime.


Eu, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, junho 20, 2007

*SAUDADES*

¿E quem é que não sente saudade?


SAUDADE
s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
nostalgia;


“O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa... Assim eu acho, assim é que eu conto... Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data.
[[João Guimarães Rosa em Grande Sertão:Veredas]]


Hoje fico a lembrar...
... do tempo em que eu e minhas primas fazíamos piquenique; do tempo em que passava horas sentada conversando com minha falecida vó; do tempo em que colecionava papéis de carta; do tempo em que brincava com as bonecas chuquinhas; do tempo em que leite condensado vinha em formato de pasta dental; do tempo em que circo e parque faziam a alegria da gente [e ainda faz.]; do tempo em que férias era para passar com os familiares distantes; do tempo em que lia gibis; do tempo em que viajava de trem; do tempo em que criança brincava na rua, na terra e descalça; do tempo em que ganhar R$10,00 de presente de aniversario era fenomenal [comprei um pogoboll e ainda sobrou dinheiro. rs*]; do tempo em que ia na praia sem preocupar com a barriga, celulite e estria; do tempo em que viajando brincava de contar placas e cores de carro; do tempo que ouvia A Turma do Balão Mágico ["Vem meu ursinho querido, meu companheiro, ursinho Pimpão..."]; do tempo em que via desenhos animados;
... do tempo em que não era preciso se preocupar com coisas de “gente grande”.


Por essas e outras lembranças, saudade, pra mim, significa “lembranças de coisas boas que ficaram para trás e que marcaram nossas vidas” e não como define o dicionário [leia acima], porque das coisas tristes não quero lembrar.


“Saudade, meu remédio é cantar.”


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, junho 12, 2007

*E ASSIM POR DIANTE*

E daí se te vejo em cores?!

Só me restam balões coloridos.
Vou soltá-los.
Deixá-los ao vento,
livres para voar,
para qualquer lugar.
Talvez assim,
livre dos balões de cores limitadas,
eu encontre balões de cores diversas.


Desprender-se das coisas é soltar-se no ar
sem saber para onde vai e como vai.
Mas, ainda,
é ter coragem de viver o inesperado,
arriscar-se para viver no ilimitado e vasto mundo,
querer crescer e ser grande sem, de fato, ser,
é, por fim,
descobrir que nada sabe apesar de todo o conhecimento adquirido.


A única coisa que tenho certeza é que viverei em busca daquilo que é essencial: AMOR.
E que sou como um grão de areia na praia que o vento (DEUS) carrega para qualquer direção.


PS.: Se você leu o post anterior, saíba que...
estou vivendo o etcétera e,
depois,
quem saber,
dou nomes às transformações.

... e assim por diante.


“Te vejo em cores
Repito frases de um filme mudo.”
[[Maltines, SC]]

Ainda estou sob o efeito da comida de Rubem Alves.
Cada palavra dita é uma garfada demorada e bem degustada.
Palavras boas de se comer.
E, assim vou soltando as palavras que em mim moram, com atenção e calma.
Esperando que em vocês elas possam fazer efeito e,
de alguma forma, alimentar-vos.


Sob esse efeito de Rubem Alves comecei a ler "Entre a ciência e a sapiciência - o dilema da educação" e, recomendo, para quem gosta de poesia e de palavras, "Lições de Feitiçaria: meditações sobre a poesia".


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, junho 06, 2007

*ETCÉTERA...*

"VIVER... O SENHOR JÁ SABER: VIVER É ETCÉTERA..."

"EU NÃO SENTIA NADA. SÓ UMA TRANSFORMAÇÃO PESÁVEL.
MUITA COISA IMPORTANTE FALTA NOME."

[[Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas]]


Vou ali viver o etcétera e,
depois,
quem sabe,
dar nomes às transformações.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, junho 04, 2007

*SEMPRE MAIS E MAIS AINDA*

Sempre mais e mais ainda eu vou querer...
desejar, sonhar, ansiar, ...
sempre.


"A tragédia da vida não está em não alcançar seus objetivos.

A tragédia está em não ter objetivos para alcançar"
[[Benjamim E. Mays]]

--> OBJETIVO: meta; alvo; finalidade.


Em busca dos meus sonhos eu vou a cada dia,
assim:
sorrindo sempre que acordar;
e
matando 1 leão por dia.

--> SONHO:
visão; aspiração.


Ingredientes indispensáveis para o bom funcionamento do corpo:
vontades, desejos, objetivos, sonhos, ...
e deles somos formados.

é necessário aspirar sempre por algo.
é necessário ansiar sempre por algo.
é necessário ter vontade, desejos, objetivos e/ou sonhos para que tenhamos motivos suficientes que nos dêem energia para viver.
para viver é preciso sonhar acordado e sonhar dormindo.


A cada dia que vivo mais me convenço...
que tenho muito que aprender;
que tenho muito pra alcançar;
que tenho sempre que sonhar;
mais e mais ainda.


... e,
no sonho eu canto "canta o teu encanto que é pra me encantar..."


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, maio 30, 2007

*O NECESSÁRIO*

Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída,
com paciência.
[[Pablo Neruda - Últimos Poemas]]

Para ter o necessário é preciso paciência.
As vezes, nenhuma palavra encontro.
As vezes, nenhum sentido encontro.
As vezes, preciso apenas da noite para buscar o poço onde encontra-se a claridade necessária.
... e, no escuro percebe-se a luz.

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Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover…
[[Luís F. Veríssimo - O gigolô das palavras]]

...
escrever claro é deixar a alma falar...
[[eu]]

Quero sempre escrever com a alma, com o coração...
o necessário;
pois são as palavras que daí surgem que mais falam.
... e, na palavra clara percebe-se a luz.

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"Nada como um dia após o outro
pro meu coração..."
[[Solana - banda capixada]]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, maio 25, 2007

*ENTRE A TRAVESSIA*


como a borboleta na foto
abandono o meu casulo para voar.

as coisas estão "entre"...
nem no passado e nem no futuro
apenas no intervalo do tempo.
as coisas estão na "travessia"...
do antes para o depois
apenas no espaço dos fatos.
as coisas ficam "entre a travessia" de ser.
no instante que é.

O instante é o agora.

deixo o passado para viver o presente.
despreocupo com o futuro para pensar no agora.

"Só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada. O ontem e o amanhã."
(M. Ghandi)


(Foto de Julia Emerich - eu)


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, maio 24, 2007

*SABOREIE SEU CAFÉ*


No Dia Nacional do CAFÉ recomendo que vocês saboreiem muito bem o café... sinta seu gosto delicioso que dá prazer.

Essa é a foto que aparece na Comunidade do Orkut do meu Café. Confira se quiser:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2195804


Um estória que recebi por e-mail:


Saboreie seu café...

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo.

Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras - de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícara em punho, o professor disse:

"Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Embora não seja nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse. Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras... e então ficaram de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso: A Vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras. Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a Vida e o tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de Vida que vivemos. Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu."

Deus coa o café, não as xícaras... saboreie seu café!


PS.: Agradeço à minha querida amiga blogueira Luma por ter me convidado para brindar ao Dia Nacional do Café.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, maio 22, 2007

*O VARAL, OS PREGADORES E A PALAVRA*


“Palavras Boas de se Comer”...
foi o capítulo do livro “Lições de Feitiçaria: meditações sobre a poesia” de Rubem Alves que hoje eu li novamente.


(Foto de Julia Emerich - eu)

Mas quanta palavra falta no varal da minha vida!
Mas uma palavra falta para pendurar pra sempre em minha vida!

Difícil é encontrar uma palavra exata, essencial.
Uma palavra que vá me fazer abrir a boca e gritar pro mundo:
que o varal é meu e penduro nele o que eu quiser.
Eu sei que tenho pregadores diversos
para pendurar diversas palavras no meu varal.
Mas não sei qual deve ser a primeira palavra a ser pendurada.
Porque se você não sabe,
a ordem faz sentido:
é preciso escolher o tipo de letra, o tamanho da fonte, a cor, o lugar ao sol e o horário.

Por enquanto, vou comendo as palavras.
Depois, vou pendurar as palavras.
No fim, vou secar uma só palavra.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, maio 18, 2007

*CORES QUE ME LEMBRAREI*


Lembrarei de você todas as vezes que eu olhar para as cores.
Elas me trarão saudade
Mas também me invadirão de razão
Para viver e prosseguir
Para amar e sorrir
Elas me dirão que a felicidade está aqui
Está no agora

Na travessia da vida
No instante em que sinto, respiro.


Lembrarei de você todas as vezes que eu olhar para as cores.
Elas me farão acreditar
Mas também me invadirão de força
Para poder e vencer
Para cantar e realizar
Elas me mostrarão que a paz está em mim
Está no permitir
Na sombra da vida
No instante em que desejo, descanso.

(Foto e Poesia de Julia Emerich - eu)


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E sempre escuto o suspiro da minha alma...
por isso necessito voltar aqui.
Então...
escutem!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*