tem horas que se torna estranho o povo e o mundo.
_ que inteligência é essa capaz de subjugar e julgar pessoas? _ que emoção é essa que não eleva os sentimentos? talvez pessoas sejam um tanto mesquinhas, se não, no mínimo à parte de um todo que deveria nos caber.
mas, apesar de tanto e de tudo viver é razoavelmente empolgante.
"[...] E a contemporaneidade é uma condição de mil folhas. É um lugar de onde a visão do mundo já não se dá no singular, não se edifica sólida e certeira, mas através da corência de um conjunto de visões; um caleidoscópio de possíveis ângulos. " [[Márcia Fontes ]]
nenhum de nós poderia sentir se no mundo não existisse o outro e o ar,
amar.
quem me inspira hoje: Mara Coradello, Betha Emerick, Brad vs. Satchel
me prende o olhar nos gestos que as mãos executam. enquanto o coração silencia, as mãos não param; se entrelaçam, acenam, enxugam as lágrimas, apertam outras mãos, ...
antes de sorrir, ela imaginou. poderia ter imaginado, mas ela não imaginou uma estória de amor ou de super-heróis ou um conto de fadas. ela apenas imaginou estar entre as pessoas, transitando pelas calçadas da cidade numa tarde de sol. na sua mão, um sorvete de chocolate e, no braço, a bolsa listrada de cores preta e branca pendurada, pendendo para o lado e para o outro. inesperadamente um menininho aparentando ter uns oito anos de idade surgiu ao seu lado e sorriu. por um instante o olhar dela para ele se fez sério, mas a seriedade era apenas brincadeira despretensiosa. então, numa atitude espontânea, ela sujou o dedo de sorvete e lambuzou o nariz dele e, em seguida, ofereceu-o o seu sorvete de chocolate. o menininho aceitou, sorriu novamente e, carinhosamente deu um beijo no rosto da moça. ela, com os olhos fechados, sorriu suavemente. quando abriu seus olhos não avistou mais o menininho. ela imaginou. uma imaginação besta. sem façanha alguma para existir, sem magia e encantamento, sem herói ou heroína, a imaginação criou asas e voou sem destino e sem motivo. é certo que a imaginação um destino encontrou por entre ares de candura e, é certo que na vida é preciso sempre ter pronta uma imaginação besta para que um sorriso leve surja em seus lábios. ela de novo sorriu. um sorriso besta.
PS.: uma imaginação besta se deve à Maressa que tão intensa se faz... Maressa, imagine!
'Se soltar a palavra quem vem do coração Falarás da linguagem mais pura.'
amanheceu e, dentro do quarto tudo era escuro, cheirando a mofo e sem cor. pela fresta da janela um raio de sol batia no rosto dele. levantou-se e saiu. andando pelas ruas sentia o sol queimar. começou a ter um assombro [maravilhar] em tudo que via, sentia e percebia; era um vislumbre do que podia mais encontrar.
DAS COISAS BOAS DA VIDA [Carol Gualberto]
Sol na janela, pé descalço e uma canção Que fale do que guardo aqui no coração Das coisas boas da vida Das minhas preferidas De tudo que faz bem à emoção
Fim de tarde, brisa leve, um ipê em flor Uma poesia prá um grande amor Família reunida, dança com as amigas Um sorriso, sei quem é meu Criador
De comer, mel, mostarda, manjericão De sentir, o arrepio de uma paixão De olhar, borboleta azul e o amor
Um bom livro, um banquinho e um violão Ter amigos mais chegados que irmãos Porta sempre aberta, se arrumar pra festa Ter alguém pra dar a sua mão Disso é feita a vida De coisas bonitas De tudo que faz bem ao coração
PS.: podemos ver a vida como uma colcha de retalhos de assombros; ter em cada descoberta - na cor do mar, no amigo, nas asas de uma borboleta, no barulho do vento, no abraço, na música, e etc. - um assombro [um espanto maravilhoso] que nos deixa contentes.
quem me inspira hoje: Carol Gualberto, Christel Bautz, Philip Yancey.
'Antônio entra no carro e sai sem destino certo. - Carros, faróis e a rua. Ele não sabe para onde ir. Segue em frente, acelerando, em um rodeio pelas ruas da cidade. Sua visão é embaçada, acelerada, retardada, intensificada. - Luzes, cores e a rua. Lá fora tudo se torna confusão. E dentro, extrema pulsação.'
Tem horas que a gente vive pesando tudo e confundindo a cuca porque se esquece que o coração precisa pulsar para poder viver.
quem me inspira hoje: Nietzsche, Nery, Rubem Alves.
voou o pensamento quando a espuma se desfez a caneta e o papel na mão as palavras foram depositadas sem devoção alguma tudo era apenas prazer que iria se desfazer
riscou-se a mão e escreveu-se NÃO choveu e apagou-se o pensamento viajante sobrou desejos inquietantes
todos eram independentes que dependiam dos desejos insuficientes
O relógio marcando os segundos, uma canção toca na rádio e a gaveta da cômoda aberta.
“Ah, se o tempo parasse agora e eu pudesse dançar com você essa canção que toca”, pensou ela.
O relógio marca 17 horas e 30 minutos.
A canção é Menininha do Portão.
A gaveta ainda está aberta.
Ela sai pela rua a fim de esquecer a canção que fez, certa vez, o tempo parar – tempo que durou apenas alguns segundos. Atravessa a rua e, com o pensamento longe segue caminhando pela calçada até chegar na beira da praia. Senta no banquinho de cimento e encontra um livro que descansa ali, do lado dela. Abre o livro e lê
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto...’
Ela fecha o livro, bebe um gole d’água e segue caminhando para esquecer aquela canção que não sai do seu pensamento. De repente ela pára no meio da calçada e, ali, em pé, em meio às pessoas que transitam, abre o livro e continua a ler
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa...’
Novamente ela fecha o livro e continua a andar até pisar na areia do mar. Então ela senta de frente para o mar, abre o livro e, mais uma vez tenta ler todo o parágrafo
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e ...’
Ela se põe de pé, lembra daquela canção e caminha devagar e tanto até encontrar um banquinho de madeira no fim da praia. Sentada nesse banquinho, de frente para o mar, ela abre o livro; mas um rangido que surge do banquinho de madeira teima em querer fazer fundo musical enquanto ela inutilmente tenta ler. Sem sucesso na leitura, ela fecha o livro, observa a paisagem – areia, mar, árvore, crianças que brincam de bola, crianças que soltam pipa com seus pais, pessoas tomando sol, duas pessoas que jogam frescobol, um quiosque e o fim da tarde – e escuta o rangido fazendo fundo musical e, mais uma vez ela se lembra da canção que fez parar o tempo certa vez. Um leve sorriso surge em seus lábios. Ela abre o livro suavemente e lê
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e, encanta o mundo. Chove tanto e tanto que inunda a casa e enche de encanto a vida de Elisa.’
Nesse momento um vento leve sopra; ela sente o frescor e percebe que o vento soprou e fez virar a página. Ela fecha o livro, repousa-o no banquinho, se levanta e segue até a beira do mar, toca o mar com os pés e lembra daquela canção. Assim, com os pés molhados de água salgada do mar, ela volta pra casa. Encontra a gaveta da cômoda aberta, olha dentro, pega uma folha de papel empoeirada, contida de palavras escritas e se põe a ler; percebe que é outra canção. Ela olha para o relógio.
O relógio marca 19 horas e 50 minutos.
A canção é Num Dia.
A gaveta ainda está aberta.
Olha pela janela. Havia escurecido. Sacode para tirar a poeira a folha de papel com a letra da canção, coloca dentro da gaveta da cômoda, fecha a gaveta e, de repente, começa a chover e ela se deita para esquecer e dormir.
Quando acorda já é dia claro.
Ela esfrega os olhos, se espreguiça e uma só é a canção que agora teima em não sair do seu pensamento... Num Dia.
[Coisas essas que pelo caminhar constante a gente inspira e expira!]