sorriso besta . cabelo ao vento . pés descalços . abraço apertado

sexta-feira, julho 17, 2009

*UM SORRISO BESTA*

essa chuva fininha deveras vai passar.
mas, não antes de molhar o suficiente minhas mãos para deixá-las com cheirinho de chuva do céu e sensação de frescor leve.

ela sorriu.
poderia ter sorrido, mas ela não sorriu um sorriso aberto mostrando os mais belos dentes brancos. ela apenas sorriu, de leve, e sem intenção alguma de fazer notar o sorriso, os dentes ou seja lá o que quisessem as pessoas admirar. ela sorriu. um sorriso besta. o sorriso criou asas e voou sem destino e sem motivo. voou pra longe e sem dizer à ela para onde iria. ela se conteve e contente ficou. queria que o seu sorriso alcançasse um lugar desconhecido e cativasse alguém ou alguma coisa, nem que fosse um pedaço de chão ou um pedaço de céu. e, pro céu ela olhou para tentar alcançar o seu sorriso, vigiar seu destino, encontrar seu motivo. o sorriso voou bem longe que distante dos olhos dela ele ficou. ela, sem saber aonde teria ido o seu sorriso besta se deteve apenas em ficar contente, pois queria ela apenas que seu sorriso fosse leve e que cativasse alguma coisa qualquer. o sorriso voou e, embora ela não pudesse saber o destino e o motivo desse sorriso, é certo que o sorriso um destino encontrou por entre ares de candura e um motivo o levou a ficar tão longe e, é certo que nada nos pertence e que, na vida, é preciso ser gentil e ter sempre pronto um sorriso besta capaz de cativar.
ela de novo sorriu.

PS.: um sorriso besta se deve à Ana que tão Clara se faz... Ana Clara, sorria!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, junho 16, 2009

*CHEIRO E GOSTO E SENSAÇÃO*

'...
despreocupa-se e pensa no essencial
dorme e acorda.'
[Gerânio - Marisa Monte]


É toda manhã, ao levantar, que tenho certeza que ainda me lembro de cada significância, que na memória nada fica ausente e, que tudo me traz a existência - adormecida ou não - de um passado que me faz viver e olhar para o futuro; pois, como disse Willian P. Young, ‘se alguma coisa importa, todas as coisas importam’.
Agora me recordarei do passado para me fazer valer o futuro.

São essas [apenas algumas] as lembranças que carrego na memória:

a letra de uma canção da Marisa Monte / o café da tarde de domingo em uma padaria /o cheiro de cravo da vela / o gosto do café de manhã e de madrugada / o cheiro adocicado do perfume em um dia frio / um poema de Manuel Bandeira / um gesto suave nos cabelos pretos / um abraço apertado num dia triste / um abraço aconchegante para matar a saudade / um feriado / o cheiro de capuccino numa tarde cheia de filosofias / a poesia de Vinícius de Moraes escrita na agenda / o show da Marisa Monte, do TM, da Maria Rita / o quebra-mola nos ares / a tarde numa livraria / a borboleta / a madrugada de filme / a leitura de um livro de Clarice Lispector num dia de viagem / a viagem / a canção de Vanessa da Mata tocada e cantada / o circo / a nota do autor de um livro / as músicas escutadas / o desenho / as estrelas / um soneto de Dom Quixote / a tarde no cinema / o cheiro do quarto / as frases soltas e improvisadas no papel / o passeio / Solana, Zamba’bem, Maltines, Samambaia / o cheiro do creme no cabelo / o presente / a carta / o gosto do suco / a praia num domingo à tarde / a montanha / a árvore solitária de uma pedra / o jogo, a mágica, a brincadeira, a piada / o gesto / a risada mais gostosa / esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa...


Então eu penso...
terá o futuro cheiro de pipoca ou de café expresso?
terá o futuro gosto de algodão doce ou de chocolate meio amargo?
terá o futuro abraço apertado ou beijo melado?

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, abril 30, 2009

*CLARIDADE*

Um pequeno diálogo para clarear o dia, a tarde e a noite também:

Serena do Céu: — Porque na real das coisas somos apenas criatura do Criador, e nada perfeitos; mas com um desejo enorme dentro do peito de assim sermos e, por isso, toda esta angústia que nos acomete em certos dias e ocasiões. Porém, esta angústia pode vir a ser boa quando transforma-se em um alvoroço que faz a gente sacudir as estruturas.

Anarina Flores: — Eu tenho medo de não aguentar tanta descoberta e tanta angústia!

Serena do Céu: — Precisamos aprender a usar nossas descobertas para tentar transformar tanto a gente quanto o mundo. Não teremos carga maior que a nossa capacidade de suportar. Então, vamos transformar sem desmoronar!


Obs.: para esse diálogo apresentado foram usados codinomes e feitas algumas adaptações.


Eu torno a repetir:
'VIVER É ETCÉTERA'
[Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, março 28, 2009

*AVISO*

Em breve, por aqui, aparecerão meia dúzia de palavras ou, quem sabe, meia dúzia de ideias.


"Basta-se de silêncio. Reflita.
Amanhã, quem sabe, claro será."


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, novembro 15, 2008

*QUANDO TE DEITARES*


Quando te deitares, não esqueça

De quem não come o pão
De quem estende a mão
De quem dorme na calçada suja da solidão;

Que há casas vazias de afeto
Que há lares desprovidos de conforto
Que há pessoas sem alento.

Quando te deitares, não esqueça

Dos que vivem na desilusão
Dos que andam na perdição
Dos que vagam no deserto do coração;

Que alguém sente dor
Que no mundo há pavor
Que tudo pode o amor.

Quando te deitares, não esqueça

De calar,
De sentir,
De sonhar.

[[Julia Emerich]]


Essa é a poesia da instalação que fiz em uma exposição de artes chamada expo NADASOMOS, que aconteceu no mês de setembro, no centro de Vitória/ES.
Se quiserem saber mais sobre a expo, veja:


Sim, ando sumida e admito!
Justificativas?!
Várias! Só não vou enumerá-las.
Mas, nada me faz deixar de querer...


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, setembro 26, 2008

*TOTALIDADE*

Aqui, tudo é reflexo
o espetáculo é ao vivo.

Tem coisas sublimes que me fazem viver num horizonte desconforme em grandeza...
o amor excelso de Deus: que é pra sempre e abrangente
a imensidão do universo: onde todas as coisas perdem a explicação
a humanidade: que revela grandiosidade de Deus e pequenez dos homens


NADASOMOS

Se na vida que tu levas, aprontas
Se vês um defeito, apontas
Se vem montaria, tu montas
Vigie para não cair

O mal é perder o amor
Achar que tudo somos
Esquecer que o outro sente dor,
Porque de fato nadasomos...

[ Bruno Assumpção ]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, setembro 25, 2008

*PATAVINAS*

Pra não dizer que nunca me atreví a rabiscar no papel aquelas palavras soltas, aqueles versos avulsos, aquelas idéias perdidas, ou seja, aquilo tudo que a nossa mente é capaz de fantasiar, vou agora mesmo, de forma desmedida, escrever todas essas coisas sem borracha para apagar – entenda ‘setinha para a esquerda’ – e sem dicionário na mão – entenda ‘na tela’ – para procurar a palavra mais cabível e agradável de ler. Vou apenas escrever ‘patavinas’. Assim:

a música: ‘Like a star’ de Corinne Bailey

o lugar: a cama no quarto

a bebida: água com gás

o mais: a caneta, a agenda, o celular e o controle da tv e do dvd

Queria que a música fosse minha; que o céu fosse de nuvens de algodão pra eu saltar de nuvem em nuvem, de estrelas de papel pra eu pegá-las no ar, de gotas de chuvas leves e doces pra eu deixar pingar em minha boca; queria sair correndo numa avenida cheia de árvores frondosas pra eu catar folhas, sentar na sombra, comer frutas, escrever poemas, ler uma crônica – ‘a moça deitada na grama’ – de Carlos Drummond; queria que a praia fosse deserta com sombra e castanheiras enormes pra eu sair chutando as ondas na beira do mar fazendo espirrar gotas salgadas no ar, deitar na sombra das castanheiras e sentir a brisa...

Na verdade eu não queria nada disso. Queria apenas ter você ao meu lado pra poder sonhar e, assim, tudo ao meu redor iria se transformar num sonho feito de conto de fadas.

Nada disso é real. Nada disso faz sentido.

Mas, uma coisa é certa, sonhar com essas coisas, as vezes, faz o coração bater mais acelerado.

Vou confessar: eu tenho uma música só pra você. Eu queria que você também tivesse uma música só para mim... a música... aquela tocada no violão, cantada na sua voz, e com palavras que se parecem magia.

E se um dia o sonho virasse realidade? Eu juro que contaria em versos, escreveria um romance, publicaria um livro que talvez virasse até filme.

Nada disso é real. Nada disso faz sentido.

Mas, uma coisa eu deixo clara: aqui, eu tenho o direito de imaginar qualquer coisa, de escrever como eu quiser, de soltar os meus devaneios da mente.

PARECE DANÇA QUE ME ENVOLVE E ME FAZ MEXER LEVE E MAGICAMENTE COMO NUNCA FUI CAPAZ!

Patavinas!

Por que é que a gente escuta músicas que nos remetem à uma dimensão romântica feita de sonho e fantasia?!

É como se a música tivesse o poder de nos transportar para um daqueles filmes românticos [comédia romântica ou não] onde a Julia Roberts, ou melhor, você é o personagem principal que vai encenar ao lado do cara perfeito uma linda história de amor.

Ergh! Chega de contos de fadas! Voltemos à realidade!

Espero que o mundo não se corrompa tanto e mais para que os meus/seus filhos tenham, num futuro, motivos para sonharem com contos de fadas e não histórias de lobo mau.


“Quando a gente é sincero, nem sempre as palavras são as mais sóbrias e elegantes.” [Elite da Tropa – livro]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

domingo, setembro 07, 2008

*REVIRANDO O GUARDA-ROUPA*

Foto por: Julia Emerich


Enquanto se revira o guarda-roupa, se pensa...
[Quanto mais eu penso, menos eu sei o que postar/escrever/falar aqui.]


Dias em que o céu está cinza, o mar está agitado e as árvores balançam sem parar. E nada me faz parar e escrever palavras bem cabidas ou descabidas. Sempre que começo a cuspir palavras [não estou desmerecendo as palavras e nem o ato de escrever] em um papel, paro. Tudo que eu deixo às vistas em um papel qualquer me parece sem sentido, de tanta melancolia, coberto de sentimentalismo fútil [se é que existe sentimento assim: fútil, inútil].

Dias atrás eu disse a uma amiga que eu havia feito uma análise comparativa do meu gosto por certas imagens imaginadas fotográficas com o meu próprio modo de ser. Vou explicar melhor: se eu fosse fotógrafa, acho que gostaria de fotografar/captar construções inacabadas e estruturas arquitetônicas. Sempre que vejo essas imagens, crio uma imagem fotográfica em minha mente - é como se eu estivesse com a máquina fotográfica em minhas mãos e pudesse, então, naquele momento captar aquela imagem visualisada. Então comecei a pensar o porquê de eu gostar dessas imagens e, concluí [não sei se estou certa] que é pelo fato de serem imagens que estão em construção, inacabadas. Mas o que isso tem a ver comigo?! Tudo. Eu me vejo como uma pessoa que está sempre achando algo dentro de si que precisa ser mudado/moldado ou mesmo descobrindo coisas que precisam ser construídas. Acredito que os seres humanos são assim: seres em constante construção. Não que estejamos mudando nosso caráter, mas aperfeiçoando-o. Tento sempre ser uma pessoa melhor. E, para isso, preciso de mudanças constantes.


"Mas nada te faz deixar de querer, quem sabe, outro dia feliz." [Solana - banda capixaba]


Ah! A vida é uma caixinha de surpresas sim!
Essas surpresas e certos acontecimentos cooperam para o nosso amadurecimento.
A vida é um eterno amadurecimento: vivência de risos, choros, conversas, discussões, beijos, abraços e brincadeiras.


E pra que o egoísmo e o orgulho se você pode ajudar alguém a ser feliz também?
Amelie Poulain em "O fabuloso destino de Amelie Poulain" [filme] ajuda um homem cego atravessar a rua, fazendo-o perceber e sentir o que se passa a sua volta. Ela vai descrevendo as pessoas, os lugares, os sons, os cheiros e tudo mais que está ao redor deles.
Esse é um simples gesto que dura muito pouco tempo. Não custa nada, nem tempo, nem dinheiro, nada que nos impeça de agir de tal maneira ou de forma parecida. Não custa nada, mas se ganha muito: um sorriso, uma gratidão.

E pra que o egoísmo e o orgulho se você pode ajudar alguém a ter um futuro melhor?
Friedrich Nietzsche em "Humano, demasiado humano" [livro] escreve assim: '[...] é que o indivíduo atenta demasiadamente para seu curto período de vida e não sente maior estímulo para trabalhar em instituições duráveis, projetadas para séculos; ele próprio quer colher a fruta da árvore que planta, e portanto, não gosta mais de plantar árvores que exigem um cuidado regular durante séculos, destinadas a sombrear várias seqüências de gerações.'
Cuidar bem de nós mesmos está intrinsecamente ligado ao cuidar bem dos nossos; não só hoje, mas pensando no futuro de todos.


Descabido é deixar de tentar!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, agosto 13, 2008

*LÁGRIMA E MÁGICA*

Um frio sem nenhum sentido!


— Alô?!
— Alô?! Renata?
— Sou eu sim. É Carem?
— Isso. Tudo bem com você?
Acabou!
Boa sorte!


Algumas dicas para ‘queijo sem goiabada’:

tome sol pela manhã / compre havaianas / vá caminhar na praia, na lagoa, no calçadão ou em qualquer outro lugar / ande de bicicleta e sinta a brisa / telefone para um amigo (a) / NÃO ligue a TV, a não ser para reunir os amigos e assistir um filme de comédia / come pipoca e tome guaraná / ouça música / NÃO ouça música que te faça lembrar dele (a) / vá na casa de alguém que te faz bem / ligue o som no volume alto e dance funck, samba, reggae, dance ou qualquer outro estilo que você goste / NÃO ligue o computador / mude a rotina do dia / faça coisas diferentes / tire fotos / ou melhor, NÃO tire fotos / leia algo que fale de cultura / vá em uma exposição de arte / assista uma peça de teatro / fique descalço (a) / NÃO escreva nada / ‘morra’ de rir / saia com os amigos / deixe o celular de lado / leia um salmo / tome sorvete de casquinha / sorria para uma criança ou um idoso na rua / seja educado (a) / deposite moedas no cofre / NÃO coma chocolate / planeje uma viagem com um (a) amigo (a) / beba muita água / contemple a natureza.


É só isso!


“Do outro lado da cidade
Eu sei que a felicidade está
Ainda vou saber exatamente
Onde ela vive e vou pra lá...”
[[Do outro lado da cidade - Roberto Carlos]]


Será que é felicidade ou será que é feliz cidade?
Parece mesmo, que por enquanto, é a cidade que está feliz...
seus arranha-céus perto das nuvens / suas ruas em trânsito [transe] constante / seus jardins coloridos, perfumados, enfeitados e enamorados / seus bairros povoados e emoldurados / suas praças e parques em rotatividade de sorrisos e gestos / seus comércios a servir / suas avenidas arborizadas sombreando o dia ensolarado / suas calçadas tocando uma canção a cada passo / sua gente perambulando pela cidade em busca da felicidade...

... e feliz é a cidade enquanto sua gente busca a felicidade!


"Lua lá no céu,
Queijo pão de mel
Na ponta do pincel,
Mostra no papel aonde encontrar
A tal da dona felicidade."
[[Dona felicidade - A turma do balão mágico]]

Onde está a felicidade?
Encontre no riso ou no olhar das pessoas na cidade.
Além da cidade ela - a felicidade - vai estar.


PS1.: felicidade é um estado de quem está feliz.
PS2.: os trechos em destaque foram retirados da música Good Luck de Ben Harper e Vanessa da Mata.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, julho 28, 2008

*VERBO*















Foto por: Julia Emerich


Há um verbo
Há um lugar em mim
Onde não há razão

Há um verbo
Há um lugar em mim
Onde há emoção

Há um verbo
Sem porção exata
Sem paixão que caiba
Em mim

Há um verbo
Amar

[[Julia Emerich - 2006]]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, julho 16, 2008

*PRA SER EXATO*

tudo agora vai ser diferente, porque aqui dentro do peito não cabe mais nada.


os papéis rabiscados... vou enviá-los
as palavras embargadas... vou dizê-las
os gestos retidos... vou demonstrá-los
os sentimentos contidos... vou expressá-los
o amor temido... vou doá-lo
e,
à vida... vou sucumbi-la.


PS.: por aqui apenas reflexos, na real, puro espetáculo.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, julho 01, 2008

*AVULSO*

essas coisas que revelam a alma e dilaceram o peito.
essas coisas com certo ar poético enquanto a prosa não chega pra transtornar estas nuvens nebulosas.
...


Querendo rabiscar o papel em branco
Deixá-lo com a minha devoção
E depositá-lo na sua caixa de correio.

[...]

Minha janela fica logo ali
Ao lado da casinha branca de ninguém
E do morro alto da solidão
Esganiçando uma canção.

[...]

Julia Emerich


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, junho 14, 2008

*AGORA É O QUE SE SEGUE*

Foto por: Raquel Magalhães

"Muitas vezes, durante os meus passeios, quando sou levado a deter-me perante uma visão e um sentimento que se me afiguram excepcionais, paro, tento abrir os olhos um pouco mais e, como quem respira fundo, enchendo os pulmões até ao limite da sua capacidade, pergunto-me o que é que será possível fazer para preservar aquilo, aquele momento, aquela coincidência entre uma visão e um sentimento."

[[Alexandre Melo em "O Viandante Esclarecido"]]


Um sentimento, um sonho, uma visão, as vezes, é contrário à realidade.
Agora é o que se segue, mesmo que seco.
Porque seca a garganta diante dos fatos lancinantes.
Mas não deve secar o sangue diante da vida que persiste.
Pois um sentimento, um sonho, uma visão, as vezes, é favorável à realidade.
Agora é o que se segue, sem secar.


Em cada passo você pode encontrar um olhar, um sorrir e uma canção... repare. Talvez assim a vida não seque.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, junho 05, 2008

*MISTURA DE COISAS BOAS*


Soa uma melodia doce
Que enche todo espaço.
Vira melancolia boa.

A melodia é de Tom
Que na melancolia do tom mais perfeito
Enche de som esta noite, esta sala.

Não há outro tom
Nem outro som
Só há o Tom
Que é Jobim.


Medley.

Já não é mais noite. É dia.
Mas ainda assim eu ouço
Antônio Carlos Jobim.

E faço assim essa poesia.
Que não é triste e nem alegre
É, todavia, uma mistura.

Um pouco de mim
Muito de Jobim
Um pouco de poesia
Muito de aprazia.


Medley.

[[Julia Emerich]]

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, maio 27, 2008

*CHUVA*

Pinga ritmicamente.
Não mente.
Refresca aquilo que queima.
E sente.
E se ele passa, me embaça.
Abre a sombrinha e se encolhe.
Mas não me proteja.
Eu quero água que lava
e, canta suave
e, às vezes, forte.
Canta sempre.
[[Julia Emerich]]


Um pouco de poesia enquanto a prosa está em aberto.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, maio 10, 2008

*OS 8 DESEJOS*

Os meus desejos são mais que oito
Os desejos são meus, são seus
Os meus 8 desejos são...

[No futuro, que não sei se será breve ou não].

Sem sombras de dúvidas, depois de ter fisgado aquele com quem juntaria as trouxas, eu viajaria para a Europa em lua de mel, feliz da vida; assim, realizaria dois sonhos: constituir família e viajar para a Europa.
Contudo, desses sonhos que mais se parecem com a nuvem do céu [se a gente chega perto, quer pegar, ela foge, fica só a impressão de ar¹.], sem ansiedade, fico com essa impressão, de que assim como o ar que eu respiro um dia os respirarei.
Mas, ao invés de ficar choramingando nuvens que não pairam sobre mim, eu juro que viajaria [léguas] em uma carreta numa estrada qualquer só para assistir ao show da Maria Rita; ao invés de ficar sentada na cadeira de balanço esperando tudo se realizar, faria equitação só para galopar pelos prados verdejantes e sentir o cabelo esvoaçar; e, ao invés de esganiçar uma canção debaixo do chuveiro, faria aula de canto e aprenderia tocar um instrumento para musicar minhas canções.
E, no fim, se nada disso se realizar, eu juro que tiro a bendita carteira de motorista, para sair pelo mundo livre, leve e solta.


¹- explicação retirada da crônica O Saveiro e a Nuvem, pertencente ao livro de crônicas “Moça deitada na grama” de Carlos Drummond de Andrade.


Meu amigo blogueiro Queiroz - Escritos Malditos - me passou esse meme, onde foi preciso contar-lhes alguns [apenas oito] dos meus desejos a serem realizados antes que o meu corpo se desfaleça e eu durma profundamente.
Passo essa tarefa para Felipe - O Nove, para Lepreu - A Rasura, e para Tony Lopes - Pessoas Comuns.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, abril 26, 2008

*SIMPLES FIM*

...
simples fim [finalidade, alvo] de todas as coisas:

o que mais importa hoje e todo dia nessa vida que é brevemente leve e pesada ao mesmo tempo é o
amor. Isso sim é o que nos faz viver em graça.

O amor => o intento maior do meu viver!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*



quinta-feira, abril 10, 2008

*MEDO*

Tenho medo
Eu tenho medo
Eu nem sei
De ficar no escuro
De sentar no muro
Tenho medo
De pisar na lua
De andar na rua

Tenho medo
Eu tenho medo
Eu nem sei
De ficar sozinha
De tocar campainha
Tenho medo
De deitar na grama
De ficar na cama

Tenho medo
De não ter você por perto
Eu nem sei
Tenho medo
Da dor que bate em meu peito
Eu nem sei
Tenho medo

Eu tenho medo
De ficar com frio
Eu nem sei
Tenho medo
De ficar sem brio
Eu nem sei
Tenho medo

Da minha rouca voz
Da minha dor atroz
Do meu cruel pavor
Do meu triste amor

[[Julia Emerich]]


=> Alguns pensamentos que se perdem na alma e que se encontram na ponta de uma caneta:

Há aqueles que me fazem ponderar sobre a retórica-eloquência:

— É preciso "emburrecer" ou simplificar a conversa/pensamento para se conviver?
— É preciso fingir desconhecer seus próprios pensamentos para se conversar?

— É preciso falar menos e ouvir mais [mesmo com aqueles que se tem intimidade] para haver convivência agradável!



Nem o saber e nem o querer,
nem tudo se divide.
Há quem não entenda.
Silêncio é sabedoria.

Enquanto se cala, se ouve a chuva, se ouve o choro, se ouve a chave e a mente abre.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, março 24, 2008

*DISCREPÂNCIAS X SEMELHANÇAS*

As discrepâncias são as substituições que ocorrem ao longo dos tempos.
As semelhanças são as necessidades permanentes de companhia e afeto.


Antoine de Saint-Exupéry escreve sobre um Pequeno Príncipe que mantinha em redoma uma rosa e, sentia-se responsável por ela.
Carlos Drummond de Andrade escreve sobre uma borboleta que veio visitar-lhe numa manhã enquanto lia o jornal e tomava café.
Xinran escreve sobre uma menina que, internada em um hospital, tinha por companhia e distração uma mosca.

Em meio a essas companhias fugazes ou permanentes, eu resolvo escrever sobre o homem pós-moderno que sustenta como companhia constante o seu telefone celular: em suas mãos, no bolso, na bolsa, na mesa de trabalho e até mesmo sobre a cama o celular posa/pousa/repousa. Dos olhos do homem ele não foge e, mantém-se estagnado até que ele vibre, pisque e/ou toque. O homem pós-moderno, então, dorme e acorda com a presença do celular, que é a sua companhia em todos os dias e em todas as horas.

E tudo isso expõe a necessidade que o homem tem de companhia/da presença de alguma espécie que transmita alguma esperança, e de algum afeto que lhe proporcione um pouco de felicidade e prazer.

Ao passar do tempo, essas presenças vão sendo substituídas. Assim, surgem as tecnologias que se tornam substitutas das mais reais e sensíveis presenças de outrora.

Que a tecnologia não nos substitua por completo e nem nos torne insensíveis!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, março 10, 2008

*ABC E ETC.*

Disseram-me que é importante sempre escrever.
Escrever todo o dia, em qualquer hora, sem apagar a palavra e/ou frase anterior, sem vontade ou mesmo sem a tal chamada inspiração [que não sei se existe].
Numa busca incessante pelo texto bom e/ou certo, fico, por fim, sem saber o que escrever.

A rotina mudou, as palavras fugiram, o café acabou e, agora, vejo o papel em branco e a caneta que me causa estranheza diante de mim. Assim, perante esse cenário que fulgura os meus dias, escolho as letras postas e bem articuladas de um livro na estante, deixando o papel em branco se cobrir de uma cor empoeirada.

Alergia!

— Atchin.

Limpo a poeira e tento mais uma vez depositar palavras em um papel estendido ao horizonte: abc e etc..


PS.: obrigada Lepreu e Mara pelas palavras trocadas.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*