'quando você for dormir. quando você se deitar. deixa o pensamento ir. sem ter nunca que voltar.'
Depois de um dia de trabalho elas se reúnem num bar para beber, comer, conversar, rir, brincar, enfim, relaxar. E, assim, num dia qualquer, elas falam da vida e dos outros, abrem o guarda-roupa dos sonhos e a imaginação se fantasia com roupas de cores diversas. Pode até ser que um dia qualquer coisa imaginada vire realidade.
CAÔ!
que a injustiça não se alargue mais!
quem me inspira hoje: as meninas do Caô, Arnaldo Antunes
'quem irá entender o seu segredo quem irá pousar em teu destino...'
Era dia, era abril, era outono e, dentro do carro, pela estrada afora iam Antônia, Julieta e Elisabete. Antônia no volante, tranquila, cantarolando uma canção que tocava no som. Julieta no carona, ao lado de Antônia, com os pés repousando sobre o painel do carro, observava a paisagem que desenhava o dia e, em suas mãos estavam uma caneta e um bloco de anotações. Elisabete, como de costume, cochilava no banco de trás do carro. Depois de um final de semana num vilarejo pitoresco, as três moças percorreriam de volta 550 km até chegarem em casa. O dia era azul, claro e alegre. Fazia calor. — Julieta, o que você está escrevendo?— Perguntou Antônia. Elisabete desperta de seu cochilo: — Aposto que é mais um de seus poemas que tanto gosto! Leia para nós. Julieta sorri, retira de cima do painel do carro os seus pés, coloca-os em cima do banco e lê:
"O céu absurdamente plácido e vem uma borboleta em cor e tons desorientar o meu orientado olhar."
quem me inspira hoje: Bethania Emerick, Maria Carolina Emerich
'... eu não me enxergo bem se vivo a vida sem querer saber de mais ninguém.'
6ª IDEIA: sobre amor
"Pra falar do amor tenho que aprender a repartir o pão, chorar com os que choram, me alegrar com os que cantam, ..." [Fruto Sagrado]
Assim como Lulu Santos se perguntou no programa 'de frente com GABI', eu também pergunto a mesma pergunta:
"ONDE ESTÁ O AMOR?"
É difícil enxergar o amor nas e entre as pessoas; reparar sentimento doado sem nada querer em troca – candura. Ao mesmo tempo, penso que a cada dia que amanhece a gente tem a chance de amanhecer melhor: de enxergar, de sentir, de reparar, de perdoar, de amar mais. E aí, eu afirmo a mesma afirmativa feita na poesia de Bruno Hasum:
"O MAL É PERDER O AMOR!"
[Se o amor escapa por entre os dedos, fica impossível conviver!]
Amar é simples, mas o amor é sublimado e profundo. Por ser assim, penso que nem todos são capazes de amar com toda força e extensão do seu ser, daí, ele - o amor - escapa por entre os dedos. A gente só é melhor quando consegue enxergar o outro e amar o próximo. Talvez, se soubéssemos receber amor, também saberíamos doar amor. Eu volto a dizer que 'nenhum de nós poderia sentir se no mundo não existisse o outro e o ar, amar'.
O amor, ao contrário da paixão, não se esvai e nem se esgota, não se finda simples e voraz. Ele é pra sempre e nos mantém vivos.
Assim eu termino essas ideias suspensas: “Coração – isto é, estes pormenores todos.” [Guimarães Rosa]
PS.: essas foram umas ideias suspensas que se completaram em meia dúzia.
'... e de close em close fui perdendo a pose e até sorri, feliz.'
5ª IDEIA: sobre mentira e verdade
“Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta?” [Clarice Lispector]
Mentir é pintar o nariz de vermelho, colocar um chapéu de palhaço e achar que você é feliz, quando, na verdade, você apenas esconde uma tristeza por trás de toda essa fantasia. E, quando acabar a encenação, você vai perceber que nada adiantou ou ainda vai continuar se enganando? A tristeza não vai embora só porque você se fantasiou de um personagem engraçado.
A gente não muda o que sente, mas o que faz. Daí os sentimentos mudam.
Mentir é, também, achar que a verdade pode ficar escondidinha a sete palmos do chão. Você pode até conseguir mentir e esconder a verdade para alguns; mas ela – a verdade – vai ficar bem viva pra você, aparecendo feito fantasma o tempo inteiro e, te deixando atordoado. Vale a pena mentir? Vale a pena perder a tranquilidade?
A gente muda a verdade pela mentira, e a paz pelo desassossego.
E, a última coisa e, talvez, a pior que pode acontecer, é que quando você mente acaba perdendo a confiança de alguém, pois quando a verdade vem à tona, vem também a desconfiança do outro por você. Será que existe alguma vantagem em mentir e perder a confiança de alguém?
Considerando a ausência da verdade, o que nos resta é um espaço preenchido por desconfiança, desassossego, desarmonia.
Que tenhamos ternura pra falar das verdades nossas!
PS.: continuarei contando ideias até que se completem meia dúzia.
'We are not our sorrows. We are not our scars. We are only human. This is what we are.'
4ª IDEIA: sobre suficiência e insuficiência
A insuficiência leva a humanidade às mais bizarras atitudes!
“Plus ça change, plus c’est La meme chose.”
Por mais que as coisas mudem, continuamos querendo mudanças, conhecimento, querendo nos satisfazer, querendo mais, querendo, querendo... Nada nos é suficiente. É sempre um novo querer, um novo desejar. Então tudo permanece da mesma forma porque somos e estamos insatisfeitos; somos uma geração onde a diversidade das coisas nos torna insuficientes.
“[...] Ficamos maiores e todo o resto ficou menor, menos impressionante.” [Brennan Manning]
Com a nossa insuficiência, todas as coisas também deixaram de ser impressionantes, de nos causar assombro. Nenhuma coisa nos satisfaz, nenhuma coisa nos impressiona, nenhuma coisa nos causa assombro. O pôr do sol não é suficiente para a contemplação; desejamos ele – o extravagente pôr do sol acompanhado de uma música, uma brisa e um sei lá o quê mais. A oportunidade de sentar com um amigo debaixo de uma sombra e poder conversar e abraçar e rir não nos satisfaz; queremos vários amigos ao nosso redor aprovando nossos atos. Ouvir e saber cantar e apreciar uma música não basta; necessitamos saber todas as músicas e entender música. Nos cobramos o tempo todo por não termos tudo o que queremos, não sabermos de todas as coisas que nos rodeiam. Precisamos ter e saber e conhecer.
"[...] O sujeito moderno é um consumidor voraz e insaciável de notícias, de novidades, um curioso impenitente, eternamente insatisfeito. Quer estar permanentemente excitado e já se tornou incapaz de silêncio. " [Jorge Larrosa]
Somos insuficientes! Pra falar a verdade, a única coisa suficiente é a presença de Deus!
"[...] Às vezes olho os céus infinitos, o universo no qual não conseguimos ver limite, e pergunto a Deus o que significa. Você realmente fez tudo isso para nos deslumbrar? Você realmente o mantém mudando, girando ao redor dos eixos para afastar o tédio? Não permita, Deus, que sua glória nos distraia. E não permita, Deus, que a ignoremos."
[Fé em Deus e pé na tábua: descobrindo a essência da vida em uma kombi, Donald Miller]
PS.: continuarei contando ideias até que se completem meia dúzia.
quem me inspira hoje: qualquer um, o filme: Camille Claudel
'.faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, ...'
3ª IDEIA: sobre bondade
A bondade de Deus não é relativamente boa. Ela é bondade porque Deus, em sua essência, é bom.
Eu estava refletindo sobre a bondade de Deus que é incondicional e constante:
Incondicional- nós homens possuímos conceitos a respeito da bondade e/ou daquilo que vem a ser bom. Para mim, certa coisa é boa, e para você, outra coisa é boa. Para mim, uma certa atitude é considerada boa, e para você, outra certa atitude é tida como boa. Podemos concordar ou discordar a respeito daquilo que é bom ou que é bondade, mas não podemos jamais discordar do fato de que DEUS É BOM e de que SUA BONDADE É PARA SEMPRE. Em Deus não há mal porque a essência dele é boa, e Ele é AMOR. Sendo assim, Deus é bom independente e incondicionalmente. Constante- por vezes a gente não percebe e muito menos sente a bondade de Deus por nós; bondade essa que se mostra a todo instante e a cada dia e nas grandes e pequenas coisas; bondade que é cuidado, proteção, provisão. Daí, a gente acaba caindo no erro de reclamar 'das coisas' por não nos atentarmos para a bondade de Deus que é constante.
“Vai morrendo mais um dia durante o qual tive mãos, olhos, ouvidos e o vasto mundo ao meu redor; e amanhã é outro dia. Por que tenho direito a dois?” [Chersterton]
Não estou querendo dizer que não damos importância para as coisas que Deus tem feito por nós, mas, talvez, não a devida importância.
'.You are my strength. Strength like no other...
You are my hope. Hope like no other...'
2ª IDEIA: sobre fé e escassez
“... ao silêncio que sopra vento com som de riso.” [Crombie]
Porque, mesmo quando tudo se faz ausência, uma presença suprema surge?
Eu queria entender que esperança é essa que me faz acreditar que “ao amanhã a gente não diz” [LH] e que as coisas, os sonhos podem se realizar. Eu queria entender porque quando tudo parece se desconstruir, a fé aparece como uma folha de uma árvore que o vento me traz. Eu queria entender porque mesmo em face de uma ausência em mim, uma presença maior e suprema me faz ter esperança.
“No centro do universo, há um sorriso na face de Deus.” [Eiseley]
Mas, ainda penso que melhor é não entender certos mistérios, e sim viver debaixo de uma dimensão que é surpreendente e que acalenta a alma e que traz sossego ao coração.
“Há algo de muito bonito no Grand Canyon à noite. Há algo em um bilhão de estrelas mantidas imóveis por um Deus que sabe o que está fazendo. (Elas ficam suspensas lá, as estrelas, como notas em uma partitura, versos livres, mistérios silenciosos girando no azul que é como o jazz.”
[Como os pingüins me ajudaram a entender Deus, Donald Miller]
'... fico olhando da janela a chuva de vento. me deixa feliz.'
1ª IDEIA: sobre alma e corpo
Estava eu a pensar que, talvez, melhor fosse que a alma não precisasse de um corpo para ser; porque o que mais vale é a alma, e não o corpo que pode ser desejado ou indesejado, invejado ou desprezado, aprovado ou censurado. A alma que realmente é bela ou não, boa ou não. Ela que chora ou ri, que ama ou odeia, que deseja ou deixa de desejar, que grita ou cala, ... Ela é a dança que o corpo dança, o canto que o corpo canta, o brilho que o corpo reverbera. E por não ser matéria ela é pura e simplesmente aquilo que se mostra. Mas tudo isso é conjectura e, talvez fosse melhor mesmo que a gente deixasse o corpo suave para que a alma que é leve pesasse forte sobre ele.
"[...] Há uma fresta em minha alma por onde a substância do que sou está sempre se escapando mas não vejo onde nem por quê. Depressa, não há tempo a perder.”
[O Encontro Marcado, Fernando Sabino]
PS.: seguirei contando ideias.
quem me inspira hoje: a chuva fina, o frio, crombie
o dia acorda e traz a poeira os olhos se embaçam a noite não tem sossego a alma se agita
"[...] Ouviu tantas vezes as máximas da sabedoria agenoriana que elas, pausada e baritonamente, conquistaram as áreas vips de seus neurônios. Dentre elas, destacavam-se a afirmativa: "Ideia é bicho poderoso. E perigoso. Muda a vida da gente." E a pergunta: "Se tu não for alguém, vai ser o quê?" Seguida da resposta: "Ninguém". Com essas frases no coração, o corpo esbagaçado pelas intermináveis horas de estrada e um apavorante frio na barriga, o homem feito José E. dos Santos desembarcou na rodoviária do Rio de Janeiro. Era sábado."
[O atirador de ideias, Adilson Xavier]
e a gente se sustenta num fio qualquer como um pássaro que canta ao se equilibrar. e a gente não deixa de sorrir só porque alguém perdeu a beleza por aí ao se distrair. ... o silêncio se equilibra na imensidão de todos os zunidos. dorme.
quem me inspira hoje: os dias passados, los hermanos
'e eu digo calma alma minha, calminha você tem muito o que aprender.'
são cinzas que se espalham pelos ares, crimes que percorrem as calçadas, ondas que inundam as varandas, manchas escuras que ameaçam o próximo instante, atentados dissolvendo a paz, vaidade descaracterizando o estampado, ... amor que se esgota na ponta dos dedos.
Vai dizer que as notícias não assustam?
talvez um dia a gente erga as mãos, contemple estrelas fulgurando o céu, sorri um sorriso besta e se admire com a bondade esburrando pelas ruas e avenidas, calçadas e praças.
era uma vez... [ela, a janela e o sol] ela não sabia o que poderia acontecer dali por diante e, sentia frio. num ímpeto ela se levanta, vai até a janela e observa ao longe o lugar para destilar liberdade, sonho, esperança, encanto mais profundo. o futuro estava adiante e o tempo era voraz. todos os caminhos percorridos até então tinham chegado ao fim. o sol aquecia lá dentro e ela não mais sentia frio. agora restava à ela seguir em frente, sem lágrimas nos olhos, sentindo o sol estampando em seu rosto um sorriso que coloria a alma.
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Ec. 3:1
quem me inspira hoje: Fábio Emanuel, Karolina Cordeiro, Maressa Moura, Noemi Gualberto
amanhece e anoitece e o outro dia chega sem a nossa permissão.
há vontade de viver. há um querer absoluto de ser. não sei se moro em mim moro, apenas moro. viver é preciso, viver é preciso. morar é o acaso de existir. moro, apenas moro.
o amanhã será mais belo quando o som soar e, a grandeza virá, assim, clara.
essas palavras soltas que me remetem a um passado não tão distante... lá eu era como se fosse pessoa diferente. hoje eu preciso de mais razão.
'O acaso tem suas mágicas, a necessidade não.' [[A insustentável leveza do ser, Milan Kundera]]
- uma palavra pra você [para ela]: ÓLEO. - e pra você esta palavra [para ele]: PROSSIGA.
e parecia magia.
ela precisava re-saber [saber novamente] que o ÓLEO, naquele momento, iria trazer equilíbrio para a sua vida. ele precisava pré-saber [saber primeiramente] que PROSSEGUIR era o que, naquele momento, ele deveria fazer. e eles, sem saberem o que se passava, naquele momento, na vida do outro, disseram essas palavras um para o outro. logo depois vieram a saber do acaso que trouxera a mágica.
quando tudo - as coisas, as palavras - confluem para um sentido, tudo faz sentido. e, é aí que surge o espanto diante dessa beleza de existir, de enxergar, de escutar, de ver, de viver.
'Não, não era superstição, era o sentido da beleza que, de repente, a libertava da angústia e a invadia com um desejo renovado de viver. Mais uma vez, os pássaros do acaso haviam pousado sobre seus ombros [...]' [[A insustentável leveza do ser, Milan Kundera]]
quem me inspira hoje: ele, Sueli Emerich, los hermanos, Milan Kundera
tem horas que se torna estranho o povo e o mundo.
_ que inteligência é essa capaz de subjugar e julgar pessoas? _ que emoção é essa que não eleva os sentimentos? talvez pessoas sejam um tanto mesquinhas, se não, no mínimo à parte de um todo que deveria nos caber.
mas, apesar de tanto e de tudo viver é razoavelmente empolgante.
"[...] E a contemporaneidade é uma condição de mil folhas. É um lugar de onde a visão do mundo já não se dá no singular, não se edifica sólida e certeira, mas através da corência de um conjunto de visões; um caleidoscópio de possíveis ângulos. " [[Márcia Fontes ]]
nenhum de nós poderia sentir se no mundo não existisse o outro e o ar,
amar.
quem me inspira hoje: Mara Coradello, Betha Emerick, Brad vs. Satchel
me prende o olhar nos gestos que as mãos executam. enquanto o coração silencia, as mãos não param; se entrelaçam, acenam, enxugam as lágrimas, apertam outras mãos, ...
antes de sorrir, ela imaginou. poderia ter imaginado, mas ela não imaginou uma estória de amor ou de super-heróis ou um conto de fadas. ela apenas imaginou estar entre as pessoas, transitando pelas calçadas da cidade numa tarde de sol. na sua mão, um sorvete de chocolate e, no braço, a bolsa listrada de cores preta e branca pendurada, pendendo para o lado e para o outro. inesperadamente um menininho aparentando ter uns oito anos de idade surgiu ao seu lado e sorriu. por um instante o olhar dela para ele se fez sério, mas a seriedade era apenas brincadeira despretensiosa. então, numa atitude espontânea, ela sujou o dedo de sorvete e lambuzou o nariz dele e, em seguida, ofereceu-o o seu sorvete de chocolate. o menininho aceitou, sorriu novamente e, carinhosamente deu um beijo no rosto da moça. ela, com os olhos fechados, sorriu suavemente. quando abriu seus olhos não avistou mais o menininho. ela imaginou. uma imaginação besta. sem façanha alguma para existir, sem magia e encantamento, sem herói ou heroína, a imaginação criou asas e voou sem destino e sem motivo. é certo que a imaginação um destino encontrou por entre ares de candura e, é certo que na vida é preciso sempre ter pronta uma imaginação besta para que um sorriso leve surja em seus lábios. ela de novo sorriu. um sorriso besta.
PS.: uma imaginação besta se deve à Maressa que tão intensa se faz... Maressa, imagine!
'Se soltar a palavra quem vem do coração Falarás da linguagem mais pura.'
amanheceu e, dentro do quarto tudo era escuro, cheirando a mofo e sem cor. pela fresta da janela um raio de sol batia no rosto dele. levantou-se e saiu. andando pelas ruas sentia o sol queimar. começou a ter um assombro [maravilhar] em tudo que via, sentia e percebia; era um vislumbre do que podia mais encontrar.
DAS COISAS BOAS DA VIDA [Carol Gualberto]
Sol na janela, pé descalço e uma canção Que fale do que guardo aqui no coração Das coisas boas da vida Das minhas preferidas De tudo que faz bem à emoção
Fim de tarde, brisa leve, um ipê em flor Uma poesia prá um grande amor Família reunida, dança com as amigas Um sorriso, sei quem é meu Criador
De comer, mel, mostarda, manjericão De sentir, o arrepio de uma paixão De olhar, borboleta azul e o amor
Um bom livro, um banquinho e um violão Ter amigos mais chegados que irmãos Porta sempre aberta, se arrumar pra festa Ter alguém pra dar a sua mão Disso é feita a vida De coisas bonitas De tudo que faz bem ao coração
PS.: podemos ver a vida como uma colcha de retalhos de assombros; ter em cada descoberta - na cor do mar, no amigo, nas asas de uma borboleta, no barulho do vento, no abraço, na música, e etc. - um assombro [um espanto maravilhoso] que nos deixa contentes.
quem me inspira hoje: Carol Gualberto, Christel Bautz, Philip Yancey.
'Antônio entra no carro e sai sem destino certo. - Carros, faróis e a rua. Ele não sabe para onde ir. Segue em frente, acelerando, em um rodeio pelas ruas da cidade. Sua visão é embaçada, acelerada, retardada, intensificada. - Luzes, cores e a rua. Lá fora tudo se torna confusão. E dentro, extrema pulsação.'
Tem horas que a gente vive pesando tudo e confundindo a cuca porque se esquece que o coração precisa pulsar para poder viver.
quem me inspira hoje: Nietzsche, Nery, Rubem Alves.
voou o pensamento quando a espuma se desfez a caneta e o papel na mão as palavras foram depositadas sem devoção alguma tudo era apenas prazer que iria se desfazer
riscou-se a mão e escreveu-se NÃO choveu e apagou-se o pensamento viajante sobrou desejos inquietantes
todos eram independentes que dependiam dos desejos insuficientes
O relógio marcando os segundos, uma canção toca na rádio e a gaveta da cômoda aberta.
“Ah, se o tempo parasse agora e eu pudesse dançar com você essa canção que toca”, pensou ela.
O relógio marca 17 horas e 30 minutos.
A canção é Menininha do Portão.
A gaveta ainda está aberta.
Ela sai pela rua a fim de esquecer a canção que fez, certa vez, o tempo parar – tempo que durou apenas alguns segundos. Atravessa a rua e, com o pensamento longe segue caminhando pela calçada até chegar na beira da praia. Senta no banquinho de cimento e encontra um livro que descansa ali, do lado dela. Abre o livro e lê
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto...’
Ela fecha o livro, bebe um gole d’água e segue caminhando para esquecer aquela canção que não sai do seu pensamento. De repente ela pára no meio da calçada e, ali, em pé, em meio às pessoas que transitam, abre o livro e continua a ler
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa...’
Novamente ela fecha o livro e continua a andar até pisar na areia do mar. Então ela senta de frente para o mar, abre o livro e, mais uma vez tenta ler todo o parágrafo
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e ...’
Ela se põe de pé, lembra daquela canção e caminha devagar e tanto até encontrar um banquinho de madeira no fim da praia. Sentada nesse banquinho, de frente para o mar, ela abre o livro; mas um rangido que surge do banquinho de madeira teima em querer fazer fundo musical enquanto ela inutilmente tenta ler. Sem sucesso na leitura, ela fecha o livro, observa a paisagem – areia, mar, árvore, crianças que brincam de bola, crianças que soltam pipa com seus pais, pessoas tomando sol, duas pessoas que jogam frescobol, um quiosque e o fim da tarde – e escuta o rangido fazendo fundo musical e, mais uma vez ela se lembra da canção que fez parar o tempo certa vez. Um leve sorriso surge em seus lábios. Ela abre o livro suavemente e lê
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e, encanta o mundo. Chove tanto e tanto que inunda a casa e enche de encanto a vida de Elisa.’
Nesse momento um vento leve sopra; ela sente o frescor e percebe que o vento soprou e fez virar a página. Ela fecha o livro, repousa-o no banquinho, se levanta e segue até a beira do mar, toca o mar com os pés e lembra daquela canção. Assim, com os pés molhados de água salgada do mar, ela volta pra casa. Encontra a gaveta da cômoda aberta, olha dentro, pega uma folha de papel empoeirada, contida de palavras escritas e se põe a ler; percebe que é outra canção. Ela olha para o relógio.
O relógio marca 19 horas e 50 minutos.
A canção é Num Dia.
A gaveta ainda está aberta.
Olha pela janela. Havia escurecido. Sacode para tirar a poeira a folha de papel com a letra da canção, coloca dentro da gaveta da cômoda, fecha a gaveta e, de repente, começa a chover e ela se deita para esquecer e dormir.
Quando acorda já é dia claro.
Ela esfrega os olhos, se espreguiça e uma só é a canção que agora teima em não sair do seu pensamento... Num Dia.
[Coisas essas que pelo caminhar constante a gente inspira e expira!]