sorriso besta . cabelo ao vento . pés descalços . abraço apertado

domingo, junho 13, 2010

*O SILÊNCIO SE EQUILIBRA*

... e o silêncio assusta quem espera na rua.

o dia acorda e traz a poeira
os olhos se embaçam
a noite não tem sossego
a alma se agita


"[...] Ouviu tantas vezes as máximas da sabedoria agenoriana que elas, pausada e baritonamente, conquistaram as áreas vips de seus neurônios. Dentre elas, destacavam-se a afirmativa: "Ideia é bicho poderoso. E perigoso. Muda a vida da gente." E a pergunta: "Se tu não for alguém, vai ser o quê?" Seguida da resposta: "Ninguém".
Com essas frases no coração, o corpo esbagaçado pelas intermináveis horas de estrada e um apavorante frio na barriga, o homem feito José E. dos Santos desembarcou na rodoviária do Rio de Janeiro. Era sábado."
[O atirador de ideias, Adilson Xavier]


e a gente se sustenta num fio qualquer como um pássaro que canta ao se equilibrar.
e a gente não deixa de sorrir só porque alguém perdeu a beleza por aí ao se distrair.
...
o silêncio se equilibra na imensidão de todos os zunidos.
dorme.


quem me inspira hoje: os dias passados, los hermanos

domingo, maio 09, 2010

*RECORTANDO A CALMA*

... e a calma faz bem pra alma.

'e eu digo calma alma minha, calminha
você tem muito o que aprender.'


são cinzas que se espalham pelos ares, crimes que percorrem as calçadas, ondas que inundam as varandas, manchas escuras que ameaçam o próximo instante, atentados dissolvendo a paz, vaidade descaracterizando o estampado,
...
amor que se esgota na ponta dos dedos.


Vai dizer que as notícias não assustam?


talvez um dia a gente erga as mãos, contemple estrelas fulgurando o céu, sorri um sorriso besta e se admire com a bondade esburrando pelas ruas e avenidas, calçadas e praças.


quem me inspira hoje: o sossego, Zeca Baleiro


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, abril 20, 2010

*ELA, A JANELA E O SOL*

a janela se abre e o sol brilha lá dentro


era uma vez...
[ela, a janela e o sol]
ela não sabia o que poderia acontecer dali por diante e, sentia frio.
num ímpeto ela se levanta, vai até a janela e observa ao longe o lugar para destilar liberdade, sonho, esperança, encanto mais profundo.
o futuro estava adiante e o tempo era voraz.
todos os caminhos percorridos até então tinham chegado ao fim.
o sol aquecia lá dentro e ela não mais sentia frio.
agora restava à ela seguir em frente, sem lágrimas nos olhos, sentindo o sol estampando em seu rosto um sorriso que coloria a alma.


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Ec. 3:1


quem me inspira hoje: Fábio Emanuel, Karolina Cordeiro, Maressa Moura, Noemi Gualberto


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

segunda-feira, março 08, 2010

*ONTEM, HOJE E O AMANHÃ QUE EU NÃO SEI*

amanhece e anoitece e o outro dia chega sem a nossa permissão.


há vontade de viver.
há um querer absoluto de ser.
não sei se moro em mim
moro, apenas moro.
viver é preciso,
viver é preciso.
morar é o acaso de existir.
moro, apenas moro.


o amanhã será mais belo quando o som soar e,
a grandeza virá,
assim,
clara.


essas palavras soltas que me remetem a um passado não tão distante...
eu era como se fosse pessoa diferente.
hoje eu preciso de mais razão.


quem me inspira hoje: eu acho que ninguém


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, fevereiro 27, 2010

*PALAVRAS MÁGICAS*

'O acaso tem suas mágicas, a necessidade não.'
[[A insustentável leveza do ser, Milan Kundera]]


- uma palavra pra você [para ela]: ÓLEO.
- e pra você esta palavra [para ele]: PROSSIGA.

e parecia magia.

ela precisava re-saber [saber novamente] que o ÓLEO, naquele momento, iria trazer equilíbrio para a sua vida.
ele precisava pré-saber [saber primeiramente] que PROSSEGUIR era o que, naquele momento, ele deveria fazer.
e eles, sem saberem o que se passava, naquele momento, na vida do outro, disseram essas palavras um para o outro.
logo depois vieram a saber do acaso que trouxera a mágica.


quando tudo - as coisas, as palavras - confluem para um sentido, tudo faz sentido.
e, é aí que surge o espanto diante dessa beleza de existir, de enxergar, de escutar, de ver, de viver.


'Não, não era superstição, era o sentido da beleza que, de repente, a libertava da angústia e a invadia com um desejo renovado de viver. Mais uma vez, os pássaros do acaso haviam pousado sobre seus ombros [...]'
[[A insustentável leveza do ser, Milan Kundera]]


quem me inspira hoje: ele, Sueli Emerich, los hermanos, Milan Kundera


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, fevereiro 06, 2010

*ESPAÇOS RESTRITOS*

tem horas que se torna estranho o povo e o mundo.
_ que inteligência é essa capaz de subjugar e julgar pessoas?
_ que emoção é essa que não eleva os sentimentos?
talvez pessoas sejam um tanto mesquinhas, se não, no mínimo à parte de um todo que deveria nos caber.
mas, apesar de tanto e de tudo viver é razoavelmente empolgante.

"[...] E a contemporaneidade é uma condição de mil folhas. É um lugar de onde a visão do mundo já não se dá no singular, não se edifica sólida e certeira, mas através da corência de um conjunto de visões; um caleidoscópio de possíveis ângulos. "
[[Márcia Fontes ]]

nenhum de nós poderia sentir se no mundo não existisse o outro e o ar,
amar.


quem me inspira hoje: Mara Coradello, Betha Emerick, Brad vs. Satchel


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, janeiro 29, 2010

*NEBLINAS E GOTAS DO CÉU*

tudo faz bem quando a gente encontra beleza, amor e amigos.
umas palavras singelas para eles - os piás - que me fizeram tão bem nesses últimos dias:

CAI UMA GOTA DO CÉU
ENCHE DE PAZ O MEU SER
CORES SE ESPALHAM NO OLHAR
E ALEGRIA VEM ME ENCONTRAR
AMIGOS SÃO PRESENTES
TELA COLORIDA
POESIA QUE ENCANTA
VIDA EM VERSOS PRA MIM
BELEZA DOCE
SOSSEGO O CORAÇÃO
E ALEGRIA VEM ME ENCONTRAR


'... muito mais do que a vida tem a oferecer
para algo maior eu preciso viver
semear a eternidade em meu coração
algo real.'
[Lambz, Curitiba/PR]


quem me inspira hoje: Bruno Hasum, Abraão Novellos, Colbie Caillat


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, novembro 10, 2009

*UMA IMAGINAÇÃO BESTA*

me prende o olhar nos gestos que as mãos executam.
enquanto o coração silencia, as mãos não param; se entrelaçam, acenam, enxugam as lágrimas, apertam outras mãos, ...

antes de sorrir, ela imaginou.
poderia ter imaginado, mas ela não imaginou uma estória de amor ou de super-heróis ou um conto de fadas. ela apenas imaginou estar entre as pessoas, transitando pelas calçadas da cidade numa tarde de sol. na sua mão, um sorvete de chocolate e, no braço, a bolsa listrada de cores preta e branca pendurada, pendendo para o lado e para o outro. inesperadamente um menininho aparentando ter uns oito anos de idade surgiu ao seu lado e sorriu. por um instante o olhar dela para ele se fez sério, mas a seriedade era apenas brincadeira despretensiosa. então, numa atitude espontânea, ela sujou o dedo de sorvete e lambuzou o nariz dele e, em seguida, ofereceu-o o seu sorvete de chocolate. o menininho aceitou, sorriu novamente e, carinhosamente deu um beijo no rosto da moça. ela, com os olhos fechados, sorriu suavemente. quando abriu seus olhos não avistou mais o menininho. ela imaginou. uma imaginação besta. sem façanha alguma para existir, sem magia e encantamento, sem herói ou heroína, a imaginação criou asas e voou sem destino e sem motivo. é certo que a imaginação um destino encontrou por entre ares de candura e, é certo que na vida é preciso sempre ter pronta uma imaginação besta para que um sorriso leve surja em seus lábios.
ela de novo sorriu. um sorriso besta.

PS.: uma imaginação besta se deve à Maressa que tão intensa se faz... Maressa, imagine!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*


segunda-feira, novembro 02, 2009

*RETALHOS DE UM ASSOMBRO*

'Se soltar a palavra quem vem do coração
Falarás da linguagem mais pura.'


amanheceu e,
dentro do quarto tudo era escuro, cheirando a mofo e sem cor.
pela fresta da janela um raio de sol batia no rosto dele.
levantou-se e saiu.
andando pelas ruas sentia o sol queimar.
começou a ter um assombro [maravilhar] em tudo que via, sentia e percebia;
era um vislumbre do que podia mais encontrar.



DAS COISAS BOAS DA VIDA
[Carol Gualberto]

Sol na janela, pé descalço e uma canção
Que fale do que guardo aqui no coração
Das coisas boas da vida
Das minhas preferidas
De tudo que faz bem à emoção

Fim de tarde, brisa leve, um ipê em flor
Uma poesia prá um grande amor
Família reunida, dança com as amigas
Um sorriso, sei quem é meu Criador

De comer, mel, mostarda, manjericão
De sentir, o arrepio de uma paixão
De olhar, borboleta azul e o amor

Um bom livro, um banquinho e um violão
Ter amigos mais chegados que irmãos
Porta sempre aberta, se arrumar pra festa
Ter alguém pra dar a sua mão
Disso é feita a vida
De coisas bonitas
De tudo que faz bem ao coração

Se quiser ouvir: http://www.myspace.com/carolgualberto


PS.: podemos ver a vida como uma colcha de retalhos de assombros; ter em cada descoberta - na cor do mar, no amigo, nas asas de uma borboleta, no barulho do vento, no abraço, na música, e etc. - um assombro [um espanto maravilhoso] que nos deixa contentes.


quem me inspira hoje: Carol Gualberto, Christel Bautz, Philip Yancey.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, outubro 22, 2009

*MEDIDA PARA TODOS OS DIAS*

UMA DOSE PONDERADA DE RAZÃO E PULSAÇÃO.


'Antônio entra no carro e sai sem destino certo.
- Carros, faróis e a rua.
Ele não sabe para onde ir.
Segue em frente, acelerando, em um rodeio pelas ruas da cidade.
Sua visão é embaçada, acelerada, retardada, intensificada.
- Luzes, cores e a rua.
Lá fora tudo se torna confusão.
E dentro, extrema pulsação.'


Tem horas que a gente vive pesando tudo e confundindo a cuca porque se esquece que o coração precisa pulsar para poder viver.


quem me inspira hoje: Nietzsche, Nery, Rubem Alves.


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, outubro 16, 2009

*ENCONTRO CASUAL*

voou o pensamento quando a espuma se desfez
a caneta e o papel na mão
as palavras foram depositadas sem devoção alguma
tudo era apenas prazer que iria se desfazer

riscou-se a mão e escreveu-se NÃO
choveu e apagou-se o pensamento viajante
sobrou desejos inquietantes

todos eram independentes
que dependiam dos desejos
insuficientes


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, setembro 30, 2009

*O ENCANTO DE ELISA*

O relógio marcando os segundos, uma canção toca na rádio e a gaveta da cômoda aberta.
“Ah, se o tempo parasse agora e eu pudesse dançar com você essa canção que toca”, pensou ela.

O relógio marca 17 horas e 30 minutos.
A canção é Menininha do Portão.
A gaveta ainda está aberta.

Ela sai pela rua a fim de esquecer a canção que fez, certa vez, o tempo parar – tempo que durou apenas alguns segundos. Atravessa a rua e, com o pensamento longe segue caminhando pela calçada até chegar na beira da praia. Senta no banquinho de cimento e encontra um livro que descansa ali, do lado dela. Abre o livro e lê

‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto...’

Ela fecha o livro, bebe um gole d’água e segue caminhando para esquecer aquela canção que não sai do seu pensamento. De repente ela pára no meio da calçada e, ali, em pé, em meio às pessoas que transitam, abre o livro e continua a ler

‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa...’

Novamente ela fecha o livro e continua a andar até pisar na areia do mar. Então ela senta de frente para o mar, abre o livro e, mais uma vez tenta ler todo o parágrafo

‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e ...’

Ela se põe de pé, lembra daquela canção e caminha devagar e tanto até encontrar um banquinho de madeira no fim da praia. Sentada nesse banquinho, de frente para o mar, ela abre o livro; mas um rangido que surge do banquinho de madeira teima em querer fazer fundo musical enquanto ela inutilmente tenta ler. Sem sucesso na leitura, ela fecha o livro, observa a paisagem – areia, mar, árvore, crianças que brincam de bola, crianças que soltam pipa com seus pais, pessoas tomando sol, duas pessoas que jogam frescobol, um quiosque e o fim da tarde – e escuta o rangido fazendo fundo musical e, mais uma vez ela se lembra da canção que fez parar o tempo certa vez. Um leve sorriso surge em seus lábios. Ela abre o livro suavemente e lê

‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e, encanta o mundo. Chove tanto e tanto que inunda a casa e enche de encanto a vida de Elisa.’

Nesse momento um vento leve sopra; ela sente o frescor e percebe que o vento soprou e fez virar a página. Ela fecha o livro, repousa-o no banquinho, se levanta e segue até a beira do mar, toca o mar com os pés e lembra daquela canção. Assim, com os pés molhados de água salgada do mar, ela volta pra casa. Encontra a gaveta da cômoda aberta, olha dentro, pega uma folha de papel empoeirada, contida de palavras escritas e se põe a ler; percebe que é outra canção. Ela olha para o relógio.

O relógio marca 19 horas e 50 minutos.
A canção é Num Dia.
A gaveta ainda está aberta.

Olha pela janela. Havia escurecido. Sacode para tirar a poeira a folha de papel com a letra da canção, coloca dentro da gaveta da cômoda, fecha a gaveta e, de repente, começa a chover e ela se deita para esquecer e dormir.
Quando acorda já é dia claro.
Ela esfrega os olhos, se espreguiça e uma só é a canção que agora teima em não sair do seu pensamento... Num Dia.




[Coisas essas que pelo caminhar constante a gente inspira e expira!]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quarta-feira, setembro 23, 2009

*PARA CHOVER UM RAIO DE SOL*

"Ah, como os mais simples dos homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas!"
[Alberto Caeiro]


Transgredir a monotonia para haver beleza e contemplação é deixar de lado a mediocridade e aproveitar cada ideia - absurda ou mesmo estapafúrdia; é deixar que a brisa rasgue a vergonha de sermos nós mesmos e escancararmos na janela do quarto o raio de sol que ilumina nossas mentes.


_ será que, de repente, acabaram as palavras, os pensamentos, os segredos?
_ tudo o que se tem é um breve adormecer!


"[...] A alma, no seu lugar mais profundo, é uma cena de felicidade. Viver é sair por aí, ou procurando a cena feliz ou tentando construir a cena feliz. [...]"
[O amor que acende a lua - Rubem Alves]

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, julho 17, 2009

*UM SORRISO BESTA*

essa chuva fininha deveras vai passar.
mas, não antes de molhar o suficiente minhas mãos para deixá-las com cheirinho de chuva do céu e sensação de frescor leve.

ela sorriu.
poderia ter sorrido, mas ela não sorriu um sorriso aberto mostrando os mais belos dentes brancos. ela apenas sorriu, de leve, e sem intenção alguma de fazer notar o sorriso, os dentes ou seja lá o que quisessem as pessoas admirar. ela sorriu. um sorriso besta. o sorriso criou asas e voou sem destino e sem motivo. voou pra longe e sem dizer à ela para onde iria. ela se conteve e contente ficou. queria que o seu sorriso alcançasse um lugar desconhecido e cativasse alguém ou alguma coisa, nem que fosse um pedaço de chão ou um pedaço de céu. e, pro céu ela olhou para tentar alcançar o seu sorriso, vigiar seu destino, encontrar seu motivo. o sorriso voou bem longe que distante dos olhos dela ele ficou. ela, sem saber aonde teria ido o seu sorriso besta se deteve apenas em ficar contente, pois queria ela apenas que seu sorriso fosse leve e que cativasse alguma coisa qualquer. o sorriso voou e, embora ela não pudesse saber o destino e o motivo desse sorriso, é certo que o sorriso um destino encontrou por entre ares de candura e um motivo o levou a ficar tão longe e, é certo que nada nos pertence e que, na vida, é preciso ser gentil e ter sempre pronto um sorriso besta capaz de cativar.
ela de novo sorriu.

PS.: um sorriso besta se deve à Ana que tão Clara se faz... Ana Clara, sorria!


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

terça-feira, junho 16, 2009

*CHEIRO E GOSTO E SENSAÇÃO*

'...
despreocupa-se e pensa no essencial
dorme e acorda.'
[Gerânio - Marisa Monte]


É toda manhã, ao levantar, que tenho certeza que ainda me lembro de cada significância, que na memória nada fica ausente e, que tudo me traz a existência - adormecida ou não - de um passado que me faz viver e olhar para o futuro; pois, como disse Willian P. Young, ‘se alguma coisa importa, todas as coisas importam’.
Agora me recordarei do passado para me fazer valer o futuro.

São essas [apenas algumas] as lembranças que carrego na memória:

a letra de uma canção da Marisa Monte / o café da tarde de domingo em uma padaria /o cheiro de cravo da vela / o gosto do café de manhã e de madrugada / o cheiro adocicado do perfume em um dia frio / um poema de Manuel Bandeira / um gesto suave nos cabelos pretos / um abraço apertado num dia triste / um abraço aconchegante para matar a saudade / um feriado / o cheiro de capuccino numa tarde cheia de filosofias / a poesia de Vinícius de Moraes escrita na agenda / o show da Marisa Monte, do TM, da Maria Rita / o quebra-mola nos ares / a tarde numa livraria / a borboleta / a madrugada de filme / a leitura de um livro de Clarice Lispector num dia de viagem / a viagem / a canção de Vanessa da Mata tocada e cantada / o circo / a nota do autor de um livro / as músicas escutadas / o desenho / as estrelas / um soneto de Dom Quixote / a tarde no cinema / o cheiro do quarto / as frases soltas e improvisadas no papel / o passeio / Solana, Zamba’bem, Maltines, Samambaia / o cheiro do creme no cabelo / o presente / a carta / o gosto do suco / a praia num domingo à tarde / a montanha / a árvore solitária de uma pedra / o jogo, a mágica, a brincadeira, a piada / o gesto / a risada mais gostosa / esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa...


Então eu penso...
terá o futuro cheiro de pipoca ou de café expresso?
terá o futuro gosto de algodão doce ou de chocolate meio amargo?
terá o futuro abraço apertado ou beijo melado?

Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, abril 30, 2009

*CLARIDADE*

Um pequeno diálogo para clarear o dia, a tarde e a noite também:

Serena do Céu: — Porque na real das coisas somos apenas criatura do Criador, e nada perfeitos; mas com um desejo enorme dentro do peito de assim sermos e, por isso, toda esta angústia que nos acomete em certos dias e ocasiões. Porém, esta angústia pode vir a ser boa quando transforma-se em um alvoroço que faz a gente sacudir as estruturas.

Anarina Flores: — Eu tenho medo de não aguentar tanta descoberta e tanta angústia!

Serena do Céu: — Precisamos aprender a usar nossas descobertas para tentar transformar tanto a gente quanto o mundo. Não teremos carga maior que a nossa capacidade de suportar. Então, vamos transformar sem desmoronar!


Obs.: para esse diálogo apresentado foram usados codinomes e feitas algumas adaptações.


Eu torno a repetir:
'VIVER É ETCÉTERA'
[Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, março 28, 2009

*AVISO*

Em breve, por aqui, aparecerão meia dúzia de palavras ou, quem sabe, meia dúzia de ideias.


"Basta-se de silêncio. Reflita.
Amanhã, quem sabe, claro será."


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sábado, novembro 15, 2008

*QUANDO TE DEITARES*


Quando te deitares, não esqueça

De quem não come o pão
De quem estende a mão
De quem dorme na calçada suja da solidão;

Que há casas vazias de afeto
Que há lares desprovidos de conforto
Que há pessoas sem alento.

Quando te deitares, não esqueça

Dos que vivem na desilusão
Dos que andam na perdição
Dos que vagam no deserto do coração;

Que alguém sente dor
Que no mundo há pavor
Que tudo pode o amor.

Quando te deitares, não esqueça

De calar,
De sentir,
De sonhar.

[[Julia Emerich]]


Essa é a poesia da instalação que fiz em uma exposição de artes chamada expo NADASOMOS, que aconteceu no mês de setembro, no centro de Vitória/ES.
Se quiserem saber mais sobre a expo, veja:


Sim, ando sumida e admito!
Justificativas?!
Várias! Só não vou enumerá-las.
Mas, nada me faz deixar de querer...


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

sexta-feira, setembro 26, 2008

*TOTALIDADE*

Aqui, tudo é reflexo
o espetáculo é ao vivo.

Tem coisas sublimes que me fazem viver num horizonte desconforme em grandeza...
o amor excelso de Deus: que é pra sempre e abrangente
a imensidão do universo: onde todas as coisas perdem a explicação
a humanidade: que revela grandiosidade de Deus e pequenez dos homens


NADASOMOS

Se na vida que tu levas, aprontas
Se vês um defeito, apontas
Se vem montaria, tu montas
Vigie para não cair

O mal é perder o amor
Achar que tudo somos
Esquecer que o outro sente dor,
Porque de fato nadasomos...

[ Bruno Assumpção ]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*

quinta-feira, setembro 25, 2008

*PATAVINAS*

Pra não dizer que nunca me atreví a rabiscar no papel aquelas palavras soltas, aqueles versos avulsos, aquelas idéias perdidas, ou seja, aquilo tudo que a nossa mente é capaz de fantasiar, vou agora mesmo, de forma desmedida, escrever todas essas coisas sem borracha para apagar – entenda ‘setinha para a esquerda’ – e sem dicionário na mão – entenda ‘na tela’ – para procurar a palavra mais cabível e agradável de ler. Vou apenas escrever ‘patavinas’. Assim:

a música: ‘Like a star’ de Corinne Bailey

o lugar: a cama no quarto

a bebida: água com gás

o mais: a caneta, a agenda, o celular e o controle da tv e do dvd

Queria que a música fosse minha; que o céu fosse de nuvens de algodão pra eu saltar de nuvem em nuvem, de estrelas de papel pra eu pegá-las no ar, de gotas de chuvas leves e doces pra eu deixar pingar em minha boca; queria sair correndo numa avenida cheia de árvores frondosas pra eu catar folhas, sentar na sombra, comer frutas, escrever poemas, ler uma crônica – ‘a moça deitada na grama’ – de Carlos Drummond; queria que a praia fosse deserta com sombra e castanheiras enormes pra eu sair chutando as ondas na beira do mar fazendo espirrar gotas salgadas no ar, deitar na sombra das castanheiras e sentir a brisa...

Na verdade eu não queria nada disso. Queria apenas ter você ao meu lado pra poder sonhar e, assim, tudo ao meu redor iria se transformar num sonho feito de conto de fadas.

Nada disso é real. Nada disso faz sentido.

Mas, uma coisa é certa, sonhar com essas coisas, as vezes, faz o coração bater mais acelerado.

Vou confessar: eu tenho uma música só pra você. Eu queria que você também tivesse uma música só para mim... a música... aquela tocada no violão, cantada na sua voz, e com palavras que se parecem magia.

E se um dia o sonho virasse realidade? Eu juro que contaria em versos, escreveria um romance, publicaria um livro que talvez virasse até filme.

Nada disso é real. Nada disso faz sentido.

Mas, uma coisa eu deixo clara: aqui, eu tenho o direito de imaginar qualquer coisa, de escrever como eu quiser, de soltar os meus devaneios da mente.

PARECE DANÇA QUE ME ENVOLVE E ME FAZ MEXER LEVE E MAGICAMENTE COMO NUNCA FUI CAPAZ!

Patavinas!

Por que é que a gente escuta músicas que nos remetem à uma dimensão romântica feita de sonho e fantasia?!

É como se a música tivesse o poder de nos transportar para um daqueles filmes românticos [comédia romântica ou não] onde a Julia Roberts, ou melhor, você é o personagem principal que vai encenar ao lado do cara perfeito uma linda história de amor.

Ergh! Chega de contos de fadas! Voltemos à realidade!

Espero que o mundo não se corrompa tanto e mais para que os meus/seus filhos tenham, num futuro, motivos para sonharem com contos de fadas e não histórias de lobo mau.


“Quando a gente é sincero, nem sempre as palavras são as mais sóbrias e elegantes.” [Elite da Tropa – livro]


Eu vou, mas eu volto... *estrela*