sorriso besta . cabelo ao vento . pés descalços . abraço apertado

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

*CONVERSA FIADA*

'... fundamental é mesmo o amor.'


Cada um conta de uma maneira:

uma vez ela gostou e narrou que era deveras caô cada jura de amor, cada lágrima caída, cada carta escrita, cada afeto demonstrado, cada abraço e cada beijo dado. e dessa mentira desejou-se verdade, mágica. ele que muito amou, chorou; e do pranto fez-se um canto, um manto um tanto mágico. ele queria apenas olhar nos olhos dela e saber que era amor.

"E eu, tantas vezes reles..."
Fernando Pessoa


quem me inspira hoje: Alexsandra Lopes, os que extrapolam a história

quinta-feira, dezembro 04, 2014

*INFINITOS MAIORES QUE OUTROS*

'Espero que você não se vá
se eu não tiver nada mais para te contar.'


Um pequeno trecho de uma entrevista que o designer Christian Loubotin deu à Bravo:

"Meus saltos deixam o caminho mais lento, dá mais tempo para observar a vida. É muito triste passar pela vida com pressa sem aproveitar o presente dos momentos."

Em meio a tempos de cobranças e pressa pra se caminhar e avistar ao longe, talvez um intervalo de sossego forçosamente adquirido, usando artifícios, tais como salto alto para caminhar, livro para ler dentro do ônibus, música para se ouvir durante um trajeto qualquer, um riso despretensioso para alguém, uma bicicleta para ir estudar ou trabalhar, caminhada no retorno do expediente e, etc., fizessem os dias mais aprazíveis e tornassem esses infinitos maiores que outros - pois existem momentos tão especiais, que deles queremos fazer infinito o instante e, assim, cada infinito vai se tornando maior que o outro. 
As desculpas e justificativas para deixar de lado esses momentos - sem luxo e sem importância social - são muitas: o cansaço, o horário, a ganância, a preguiça, a maternidade e a paternidade, a fome e, por aí se estende a lista das justificativas que encontramos para deixarmos de observar os pormenores delicados da vida.
É evidente que desacostumados do sossego e da delicadeza dos dias, o contento com a serenidade se dispersa por aí!

"O único mistério do universo é o mais e não o menos."
Fernando Pessoa


quem me inspira hoje: os paulistanos

terça-feira, janeiro 28, 2014

*ENQUANTO ISSO*

'cantando
dormindo na estrada, no nada, no nada
e esse mundo é todo meu.'


enquanto isso a gente segue olhando a multidão
enquanto isso ela segue no meio da multidão
enquanto isso, a gente
enquanto isso, ela
enquanto isso
isso.


quem me inspira hoje: Karolina Lima, eles

domingo, janeiro 19, 2014

*O ENCONTRO MARCADO*

'... por onde se engana o coração
se encontra a saída pra vida.'


Em "O Encontro Marcado" o autor Fernando Sabino relata uma parte em que três amigos combinam um encontro no futuro. Pensando nesse encontro futuro marcado, eu me remeto ao passado e me lembro de um dia, com duas amigas, há algum tempo, termos tirado uma foto para a posteridade e, registrado também, três senhoras juntas conversando na rua e, dizíamos, então, ser elas nós três no futuro distante. E a vida passa, e é um leva e trás de ventanias e sóis, que encantam e desencantam. Agora eu penso e tenho certeza de que a vida não acontece sempre como a gente quer, sonha ou imagina; a vida nos surpreende e o controle de tudo foge de nossas mãos. Não imaginei tanta coisa, tanto encanto e desencanto, assim como também não imaginei que a lucidez dos anos, a maturidade da vida fosse, ao mesmo tempo, amargo e doce. Depois que nos tornamos adultos adquirimos razão diante das coisas e de tudo, e isso requer de nós um esforço para enxergarmos beleza espalhada por aí. Nosso encontro marcado precisa ser com a beleza, diariamente, seja ela qual for - a flor, o amor, o céu, o carrossel, a estrada, a saia, você!

O tempo todo caminha.
Se para, acompanha-se
de uma só linha
era uma vez
era uma vez
era uma vez
[Paulo Leminsky]


Quem me inspira hoje: cada um e cada coisa 

terça-feira, outubro 23, 2012

*INCÔMODO*

'flor amarelinha colorida de hidrocor
esse jardim é todo feito de isopor ...'


Que se perca o comodismo por algum instante – 
‘[...] por aquela ânsia e soência, de avançar, a avançar, agora podia desequilibrar a boa regra de tudo.’ [Guimarães Rosa em Grande Sertão: veredas]

·         SOÊNCIA – derivado do verbo soer. Costumar, ter por hábito.

O que me incomoda é a comodidade de ser/ter/estar que se instala em nós. 
Nos acostumamos, logo nos acomodamos com o que temos, com o que somos e onde estamos, porque é simplesmente confortável permanecer assim, sem nada mudar. Aceitamos a ‘boa regra’ de que tudo precisa ser de uma maneira só. Não que eu ache ruim, mas, e se eu quisesse e preferisse me arriscar e inverter a ordem, fazer diferente do esperado, frustrar as expectativas, começar tudo de novo, mudar de lugar, andar de bicicleta, cuidar somente dos filhos, fazer outra faculdade, etc? Infelizmente nem tudo o que é confortável é o melhor.
Acho que vez ou outra, por algum instante, temos que nos permitir experimentar coisas novas e diferentes, ter desejos maiores, avançar, sair do conforto, se incomodar.
Busque a felicidade e não a boa regra de tudo!


Eu sei mas não devia
[Marina Colasanti]

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. 
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. 
E porque não olha pra fora, logo se acostuma a aceder cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. 
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar. 
A sair do trabalho porque já é noite. 
A cochilar no ônibus porque está cansado. 
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. 
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. 
E a lutar para ganhar dinheiro com que pagar. 
E a pagar mais do que as coisas valem. 
E a saber que cada vez pagará mais. 
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição. 
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor. 
Ao choque que os olhos levam na luz natural. 
Às bactérias da água potável. 
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. 
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. 
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. 
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. 
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. 
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, que se perde de si mesmo.


quem me inspira hoje: Sueli Emerich, Maressa Moura, Gustavo Dias

quinta-feira, agosto 02, 2012

*O CABELO, O VESTIDO, O PRETO E EU*

'... eu vou ficar te olhando
pro seu sono ser bom'


deixe molhar na chuva e pingar nas plantas pra esverdear os dias de sol que esquenta a pele e clareia a cidade! deixe a vida ser leve!


Pra nós...

O calor, o ar, uma brisa
Toda avenida,
E toda avenida ao nosso redor
Pra descontrair, atrair.

A criança, o parque, um riso
Toda leveza,
E toda leveza ao nosso redor
Pra sentir, perceber.

A letra, a música, uma poesia
Toda vida,
E toda vida ao nosso redor
Pra levar, desfrutar.

Se soprar, sinta...
O cabelo balançar, o vestido voar, o preto realçar,
E eu irei absorver.

Pra nós o amor
Pra vida ser mais eu, você e todos nós!
Se alcançar, prenda! 


quem me inspira hoje: as amigas da av. paulista

quinta-feira, junho 28, 2012

*PRESTÍGIO DELA*

'a moça tá diferente
guarda um segredo, um desatino'


ela finge que dorme só para ser acordada com ele tocando pra ela; ela fica quieta ouvindo ele recitar um poema; ela segura a mão dele enquanto assistem um filme; ela sai na rua abraçada com ele; ela escreve poesia enquanto ele canta pra ela; ela aprende a comer sushi com ele; ela chora e ri, vai ao teatro e ao cinema com ele; ela se inventa enquanto ele se re-inventa pra ela.
quase sempre tem um sol, o nome dele e, quase sempre é inevitável não saber que ele lhe faz feliz!
esse AMOR é somente um PRESTÍGIO dela!
tem amor que não se explica, tem gente que chega pra ficar e, isso não quer dizer que serão amantes, serão apenas amados [seja lá qual a forma que esse amor tiver].


destoante do sossego, a rudeza que se opõe com todo vigor à delicadeza dos gestos, à gentileza!




eu queria que os seres humanos fossem um tanto elegantes - pra não dizer inteligentes e chamá-los de burros - para deixarem de lado essa sede e fome de acúmulo de bens e, olhassem pro lado, pra frente, pra todos os lados e, assim, perceberem que tem gente morrendo de inanição, que o outro sente dor, que no mundo falta amor.


quem me inspira hoje: os que são gentis

sábado, junho 23, 2012

*VULGAR E SUPERFICIAL*

'para todas as coisas: dicionário
para que fiquem prontas: paciência
para dormir a fronha: madrigal
para brincar na gangorra: dois'



"[...] A liberdade é inevitavelmente mais imprecisa. A liberdade é aquele espaço em que a contradição pode reinar, é uma discussão interminável. [...] E é também mais que mero relativismo, porque não é meramente um palavrório sem fim, mas um lugar onde as escolhas são feitas, os valores definidos e defendidos."
Márcia Fontes

Enquanto as mulheres vulgarizam a beleza e os homens depreciam as palavras, ou vice-versa, o mundo vai se inundando de vulgaridade e a superficialidade vai se tornando característica comum. E, no compasso dos tempos, no tique-taque dos relógios, a vulgaridade e a superficialidade vão sendo cada vez mais naturais e as pessoas mais artificiais.

falta o singular, o encanto, o olhar atento
sobram os vazios e infinitas indagações

Por acaso o sujeito lá repara no lápis de cor da criança que colore o papel? Ou repararia ele nas cores das roupas no varal? Ou mesmo no verso simples escrito em um guardanapo? Que nada! O sujeito se interessa muito mais em ver a cor do batom na boca, a roupa que ajusta e modela a silhueta e as palavras pichadas que tomam conta dos muros da cidade.
Sinto muito, mas a beleza ainda precisa ser reparada!


quem me inspira hoje: os vulgares e superficiais

terça-feira, maio 01, 2012

*O ÔNIBUS MÁGICO*

'me dá um sorriso, sorrir é preciso, ...'

"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro."
Rubem Alves
Eu jamais esbanjaria sensualidade, beleza e um sorriso de gloss, entreaberto e, muito menos imaginaria que aquele olhar encontraria o meu naquele sutil acaso do destino. Mas, eu juro que não me importaria perder o trem, o dia, esperar sozinha quase 1 hora e meia o ônibus na rodoviária para, enfim, embarcar novamente neste primoroso romance de cinema.
De fundo, parecia haver uma trilha sonora romântica de filme somada com um pouco de magia espalhada a fulgurar. Contudo, o que de fato fulgurava no cenário ali eram a lua cheia, as estrelas brilhantes da madrugada e aquele rosto, aquela voz, aquelas mãos compridas – podendo ser um pormenor, quem sabe – daquele jovem que era belo e que me encantou. De resto, havia o ônibus, os passageiros, o motorista, a estrada e as paradas.
Em meio aquele cenário de encantamento, eu e ele nos perdemos no tempo a conversar para depois nos encontrarmos num beijo que envolvia mãos e abraço aconchegante.
Eu, acolhida pelos braços dele, adormeci. Ele também adormeceu. Quando meus olhos se abriram já era dia amanhecendo e clareando aos poucos. Cochilei mais um pouco e ele acordou. Des-cochilei! E, por mais que parecesse um sonho ou um devaneio meu, não era! Eu estava ali, acolhida e aconchegada em seus braços, sentindo o gosto do beijo e, com um sorriso sem gloss, aberto!


quem me inspira hoje: Biba, Roberta Sá

segunda-feira, janeiro 30, 2012

*DESCONEXO*

'tem confusão que vira amor.'


entre eu e Solana [Banda Capixaba] fica algo mais ou menos assim:
'Ah, esse mundo,
esse mundo podia dar voltas! 
E você,
você podia parar de uma vez em mim!'


um telefonema causa confusão, insônia, 
desvia a gente da rota, revira, acorda.
e os sentimentos nessa hora?
estupefatos!

"De você sei quase nada
pra onde vai ou porque veio
nem mesmo sei
qual é a parte da tua estrada
no meu caminho..."
[Zeca Baleiro]


quem me inspira hoje: o que ligou

domingo, outubro 23, 2011

*DESEJO INSANO*

'...
melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.'


quero te ver, nem que seja pela fresta da porta, te espiando
quero te ver, nem que seja por um segundo, de soslaio
se eu não te ver, eu perco o meu ar e o meu chão
não! eu não perco não!
se eu perder esse sonho, eu morro
se eu perder essa esperança, eu caio
por isso prefiro continuar com esse desejo insano
de querer te ver a todo custo
em cada passo que dou e em cada esquina que viro
e, se por acaso, eu me esbarrar em você
peço desculpas,
não era isso que eu queria
quero apenas te ver

"Você é a manteiga do meu pão, o sopro da minha vida."
[frase do filme: Julie & Julia]


quem me inspira hoje: todos os ex

sábado, agosto 27, 2011

*RETICÊNCIAS*

'dolce far niente'


pra todo poema um ponto de exclamação
pois o final a gente deixa pra depois
a vida é um abraço, um beijo 
e reticências
e o final a gente esquece
...
o telefone no quarto
o cigarro apagado


um engodo quase que fatal: um verso feito poesia numa noite sem luar!

'Seria tão melhor se compartilhássemos de nossa insegurança, se nos puséssemos todos juntos dentro de nós mesmos para dizer que as vagens e a vitamina C, ainda que alimentem o bicho, não salvam a vida e não sustentam a alma.'
[A elegância do ouriço, Muriel Barbery]


quem me inspira hoje: os cariocas

segunda-feira, agosto 01, 2011

*LÁGRIMAS DOCES*

'...
Dancing, just dancing
I've got you deep inside of my mind'


e se a gente chorar,
brigadeiro pra alegrar.
toda façanha pro coração enganar:
cambalhota, uma prosa
e uma canção com versos adocicados.

quem não chorou não amou.
quem não amou não cantou.
cante de manhã cedinho clareando.
e de olhos fechados
deixe brotar o sorriso mais doce.




quem me inspira hoje: os poetas, os músicos

quarta-feira, julho 20, 2011

*SEMPRE MAIS E MAIS*

'Há um vilarejo ali,
onde areja um vento bom...'


Só para registrar:
  • o motorista é um estressado que chama pra briga o passageiro;
  • o casal dorme debaixo do cobertor;
  • a mãe é uma gorda que caminha no calçadão e come doce escondido;
  • o dono do botequim, de trás do balcão, grita com o empregado;
  • o bancário chora em segredo no banheiro;
  • o ladrão se esconde da polícia detrás do muro;
  • o treinador é um grosso que xinga com todos os jogadores;
  • a professora manda calar a boca e ficar quieto;
  • o menino solta pipa num dia de céu azul;
  • o vizinho se irrita com o som alto do outro lado da rua;
  • o pianista resmunga com ninguém e fica emburrado;
  • a moça é uma magrela que come alface e chora;
  • e assim por diante.
— Aposto que eles querem MAIS SOSSEGO!
— E o que MAIS, além de sossego, eles poderiam querer?
— O mundo precisa de paz! 
— Todos, de alguma forma ou de outra, querem apenas MAIS SOSSEGO!
O mundo precisa de mais e mais de todas as coisas que são essenciais para viver, AMIÚDE!

"[...] Longe de ficar assustada com aquelas pessoas de aparência comum cantando para Deus, senti minha alma se elevar, diáfana, sustentada pelo cântico. Voltei a pé para casa naquela noite, sentindo que o ar podia passar através de mim, como se eu fosse um pano limpo flutuando em um varal, [...]"
[Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert]

Amiúde o sossego e a paz em todos os dias de manhã clareados; a alegria feito fumaça que se expande pelos ares; o afeto doado e a mão estendida.


Quem me inspira hoje: Marisa Monte, Nery Neto

quinta-feira, julho 07, 2011

*SEMPRE MAIS*

... e aos poucos você vai sumindo,
assim, tão displicente.



— Muito pouco basta!
— Mentira! Muito pouco é um pouco demais.
— Talvez seja.
— A gente sempre quer mais. Queremos um tanto e quase tudo e, nunca é basta.

Algumas crianças querem apenas um beijo ou um pão. Algumas pessoas querem meramente um abraço ou um chão estendido. E, também, há outros que querem simplesmente alguém para lhe dar a mão.

— Muito pouco NÃO basta!
— A gente sempre quer mais!
— É.
— Queremos sempre mais daquilo que é essencial para viver, AMIÚDE!

Amiúde o amor, a paz e a felicidade espalhados; o pão sobre a mesa, o teto e o chão para pisar; o beijo de partida e o abraço de chegada.




Quem me inspira hoje: Paula Toller, Falcão, Teatro Mágico

quarta-feira, abril 13, 2011

*ENTRE NÓS TRÊS*

'Quem te disse que era fácil esperar?
você me disse que viria
e eu te conhecendo fui dormir.'


Entre eu, Vanessa da Matta e Guimarães Rosa:

A força nunca seca,
o sentimento é fermento
e o viver é etcétera.
A alegria é fumaça
e o amor é verbo.


Certos homens nos causam ojeriza com sua gulodice [qualquer gula que se caiba]!


quem me inspira hoje: esses acima

terça-feira, março 29, 2011

*UM PEDAÇO DE MIM*

'... e se demorar,
i'll wait for you.'


Por lembrar quem sempre carrega um pedaço de mim:

sempre deixo um pedaço de música para você
hoje vou fazer diferente
deixo um pedaço de céu estrelado da noite que prossegue
calma, suave e fresca
olhe pra o céu e veja uma estrela a brilhar
pequena
pois a saudade apertou


PS.: se faltar desodorante, use perfume.


quem me inspira hoje: o que deixa saudade

terça-feira, março 08, 2011

*SWEET DREAMS*

'É melhor ser alegre que ser triste
alegria é a melhor coisa que existe...'



"Eu acordo. Não sei o que fazer, porque algumas vezes os sonhos estão só brincando, sabe?"
[Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert]

Os visitantes olham a cena como alguém que espia através da fechadura:

Ela está deitada e ele chega sorrateiramente lhe dando um beijo nos lábios como quem diz boa noite. Ela senta na cama, olha pra ele e, diz
Você está namorando!
Ele não diz nada. Continua calado a observá-la.
Então ela acrescenta
Você a ama!
Não tanto assim! Diz ele e, em seguida deita na cama ao lado.
Depois de uns poucos minutos ela se levanta, pega um lençol e cobre ele. Devagar ela se deita ao seu lado, coloca uma das mãos no ombro dele e deixa a mão deslizar pelo braço dele até encontrar a sua mão. De mãos dadas eles pegam no sono.
As horas passam...
ela acorda!

PS.: 'Sweet dreams' ou seriam 'doces deletérios'?!

"[...] Nunca antes experimentara aquela sensação nostálgica, ao mesmo tempo doce e dolorida, de sentir saudades."
[O Xangô de Baker Street - Jô Soares]


quem me inspira hoje: Riobaldo [personagem de Grande Sertão: Veredas], Liz e Felipe [personagens de Comer, Rezar, Amar]

quinta-feira, março 03, 2011

*UMA NESGA DA MEMÓRIA À MOSTRA*

'Besteira qualquer
nem choro mais...'


Um gesto simples, de repente, me faz relembrar um instante que eu achava ter pra sempre esquecido. Isso me deixa - momentaneamente - com uma súbita sensação de prazer e estranhamento diante do fato rememorado, e me faz levemente sorrir.
É algo mais ou menos assim:
Alguém alheio, sem pretensão alguma de te fazer notar o fato, faz um gesto e, quando sem querer você vê esse gesto, sente uma lembrança de um tempo passado clarear e, sorri.

Dizem que “recordar é viver”, eu prefiro dizer que “recordar é reviver”!


"A massa de informações que a memória humana grava equivale a 20 bilhões de livros. Mas é preciso que um fato mexa com as emoções para ser encontrado depois com facilidade nesse fantástico arquivo do cérebro."


quem me inspira hoje: Drummond, um casal estranho

segunda-feira, novembro 22, 2010

*QUALQUER COISA*

'quando você for dormir. quando você se deitar.
deixa o pensamento ir. sem ter nunca que voltar.'



Depois de um dia de trabalho elas se reúnem num bar para beber, comer, conversar, rir, brincar, enfim, relaxar. E, assim, num dia qualquer, elas falam da vida e dos outros, abrem o guarda-roupa dos sonhos e a imaginação se fantasia com roupas de cores diversas. Pode até ser que um dia qualquer coisa imaginada vire realidade.

CAÔ!


que a injustiça não se alargue mais!


quem me inspira hoje: as meninas do Caô, Arnaldo Antunes