“Ah, se o tempo parasse agora e eu pudesse dançar com você essa canção que toca”, pensou ela.
O relógio marca 17 horas e 30 minutos.
A canção é Menininha do Portão.
A gaveta ainda está aberta.
Ela sai pela rua a fim de esquecer a canção que fez, certa vez, o tempo parar – tempo que durou apenas alguns segundos. Atravessa a rua e, com o pensamento longe segue caminhando pela calçada até chegar na beira da praia. Senta no banquinho de cimento e encontra um livro que descansa ali, do lado dela. Abre o livro e lê
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto...’
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa...’
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e ...’
‘Uma chuva de bolinhas coloridas se espalham pelo chão e enche o mundo de encanto, mas não encanta Elisa. A chuva encanta João, Laís, Tiago, Renata, Ana e, encanta o mundo. Chove tanto e tanto que inunda a casa e enche de encanto a vida de Elisa.’
O relógio marca 19 horas e 50 minutos.
A canção é Num Dia.
A gaveta ainda está aberta.
Olha pela janela. Havia escurecido. Sacode para tirar a poeira a folha de papel com a letra da canção, coloca dentro da gaveta da cômoda, fecha a gaveta e, de repente, começa a chover e ela se deita para esquecer e dormir.
Quando acorda já é dia claro.
Ela esfrega os olhos, se espreguiça e uma só é a canção que agora teima em não sair do seu pensamento... Num Dia.
[Coisas essas que pelo caminhar constante a gente inspira e expira!]
Eu vou, mas eu volto... *estrela*